Cadê o ministro da Saúde? Parte III

Desde a saída do ex-ministro Nelson Teich, Eduardo Pazuello tornou-se ministro interino e assumiu a pasta.

               
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O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, acompanhado do governador do Amazonas, Wilson Lima, participam da inauguração da Ala Indígena no Hospital Nilton Lins

Estamos há 18 dias com um ministério da Saúde sem ministro. Desde a saída do ex-ministro Nelson Teich, Eduardo Pazuello tornou-se ministro interino e assumiu a pasta. Autorizou o uso de cloroquina e hidroxicloroquina, nomeou 12 militares para a pasta (nenhum formado em medicina) e passou a divulgar o ‘placar da vida’ (a contabilização das pessoas curadas, em vez do aumento de casos). O que aconteceu com o Brasil nesse tempo? ⁣

O Brasil está no segundo lugar do ranking mundial, com 530 733 casos e 30 079 mortes, e pode se tornar o novo epicentro da pandemia de coronavírus. Enquanto outros países com grande número de casos e mortes já estão no momento de estabilização ou de curva descendente, isso não parece estar acontecendo por aqui. A última notícia, aliás, é que estamos vivendo o momento de interiorização da epidemia – o que significa que ela está saindo dos grandes centros e chegando nas cidadezinhas. No dia 27 de março, 5,3% dos municípios tinham casos confirmados. No dia 25 de abril, o índice subiu para 30,9%, e em 25 de maio, para 67,7%.⁣

Ainda não conseguimos aumentar a capacidade de testagem da população a contento. Hoje, no Twitter do Ministério da Saúde, há a comemoração de que a média diária de exames ficou 4,5 vezes maior. Claro que é bom, mas não é suficiente ainda. A notícia diz: “ a média diária de exames RT-PCR, que em março foi de 1.689, passou para 7.624 neste mês de maio”. Sabem qual a média diária nos Estados Unidos? 150 000 testes por dia. ⁣

A transparência do Ministério da Saúde, que já estava baixa, desapareceu nas últimas duas semanas. Não se ouviu falar, por exemplo, do plano de saída elaborado por Teich. É verdade, contudo, que os secretários da saúde parecem estar satisfeitos com o ministro interino, segundo apontou uma reportagem da Folha. Ele é conhecido por fazer acontecer e ter agilidade para resolver processos. Mas isso não quer dizer que não temos grandes desafios pela frente. Do jeito que está, seguimos vendo o placar da vida e parece que está tudo indo bem em perfeita harmonia. Não está.

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