Cadê o ministro da saúde? Parte II

Quase um mês depois que assumiu, é difícil reconhecer algum avanço em sua gestão

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Imagem: Palácio do Planalto (Flickr)

O Brasil precisa de um líder para atravessar a crise causada pelo coronavírus. Alguém para transmitir as mensagens com clareza e credibilidade. Alguém que seja capaz de desenhar cenários e soluções para realidades tão diferentes entre as cidades. Nenhum país estava preparado para a covid-19, é verdade. Mas o que estamos assistindo no Brasil está muito longe do ideal. Até quando vamos esperar a adaptação do ministro?

Na segunda-feira, o ministro da saúde apresentou algumas telas de PowerPoint sobre a nova diretriz para a reabertura de estados e municípios. Ele recebeu diversas perguntas para detalhar o tema, mas respondeu sempre que isso só seria detalhado na quarta-feira, 13. Eis que sete minutos antes do início da coletiva de imprensa, o órgão avisou que a reunião tinha sido cancelada.

A justificativa, segundo o jornal O Globo, é que o Ministério da Saúde aguarda a “pactuação da estratégia de gestão de riscos junto a estados e municípios”. Na prática, essa mensagem quer dizer que o ministério apresentou o plano e os secretários de saúde não gostaram, não concordaram e/ou boicotaram. Alguns jornais já haviam noticiados essa falta de alinhamento entre governo federal e estados. Um dos motivos seria que Teich não quis se comprometer a se manifestar publicamente a favor de medidas de distanciamento social implementadas por estados.

Teich chegou oficialmente ao governo em 17 de abril. Quase um mês depois, é difícil reconhecer algum avanço em sua gestão. Essa diretriz para redução do isolamento era uma de suas principais bandeiras e, embora esteja pronto, não teve o apoio que precisava ter. Outra promessa era aumentar a testagem da população. Segundo a CNN, dos mais de 46 milhões de testes prometidos, só 11% foram distribuídos.

Assumiu o cargo com o objetivo de fazer uma gestão técnica, para encontrar um meio termo entre a necessidade de preservar a saúde e a economia. O que aconteceu na prática foi que ele se escondeu. Despareceu no momento mais crítico da epidemia. Sumiu das coletivas de imprensa. Reduziu a divulgação de dados. Não conseguiu interagir com estados e municípios.

Tudo bem ficar longe dos holofotes (desde que o trabalho dos bastidores seja eficaz). Tudo bem tirar o colete do SUS (desde que o SUS esteja assistido). Tudo bem não ser tão bom com discursos (desde que a mensagem correta seja transmitida). Ainda não faz um mês. Ninguém disse que seria fácil mesmo. Mas cada dia conta. Em 17 de abril, quando Teich assumiu, o Brasil tinha 2.171 mortos. Em 12 de maio, eram 12.400 mortos. É claro que a tendência é de aumento e isso não é culpa do ministro. Mas as decisões que ele toma hoje (e as decisões que ele omite também) impactam diretamente no curso dessa epidemia no nosso país.

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