ButanVac: a nova vacina brasileira contra o Covid-19

ButanVac: a nova vacina brasileira contra o Covid-19

O Instituto Butantan anunciou recentemente a ButanVac, a nova vacina […]

By Published On: 01/04/2021
ButanVac: a nova vacina brasileira contra o Covid-19

O Instituto Butantan anunciou recentemente a ButanVac, a nova vacina brasileira desenvolvida pelo instituto e que, segundo o que foi divulgado, deve ser distribuída ainda este ano para a população. O novo imunizante deve ajudar a acelerar a campanha de vacinação contra o novo coronavírus, que passa por atrasos e interrupções.

A promessa

O Brasil já conta as vacinas AstraZeneca e CoronaVac, mas são importadas de farmacêuticas estrangeiras. A nova vacina poderia facilitar o abastecimento das doses, por ser inteiramente produzida no país e não depender da importação de nenhuma matéria prima para ser feita, como é o caso da CoronaVac, vacina feita em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

Tecnologia totalmente brasileira?

Em desenvolvimento desde o final de março de 2020, o novo recurso será feito sem necessidade de ajuda externa. Entretanto, a ButanVac existe devido a parcerias, que ensinaram a utilizar novas tecnologias, como o Instituto de Vacinas e Biologia Médica do Vietnã e a Organização Farmacêutica Governamental da Tailândia. Por esta razão, o Brasil irá abastecer a si mesmo e ajudar outros países de baixa e média renda.

Além disso, a tecnologia do vírus NewCastle vem da Icahn School of Medicine de Mount Sinai, em Nova York e a HexaPro, que permite a estabilização da proteína “S”, vem da Universidade do Texas, ambas estão localizadas nos Estados Unidos.

Como funciona

Enquanto a AstraZeneca utiliza o método de mRNA — que envia uma “mensagem” para o organismo —, a CoronaVac cultiva o vírus para então ser inativado e a ButanVac segue um método similar, mas utiliza uma tecnologia que consiste na inoculação do vírus em ovos embrionados de galinhas, que pode aprimorar a qualidade da vacina.

O método utilizado pelo Butantan é comum e comprovadamente seguro de produzir um imunizante. Ademais, já foi utilizado anteriormente pelo instituto para a produção de vacinas contra o vírus Influenza.

A ButanVac é feita com um vírus chamado NewCastle, que é alterado para produzir a proteína “S” ou “Spike”, mutação presente nas variantes do coronavírus no Brasil. Logo após, o vírus modificado é injetado no ovos de galinha e deve se reproduzir nele em até 3 dias. O material todo é processado, purificado e quimicamente inativado, gerando a IFA, matéria prima da vacina.

A vacina faz com que o organismo acredite que há invasão do vírus SARS-CoV-2, logo o sistema imunológico produz anticorpos específicos para combater essa doença. Com o vírus inativado, o indivíduo consegue que seu corpo gere imunidade sem precisar ficar doente.

Segurança e baixo custo

O vírus NewCastle costuma infectar aves, mas não causa doenças nos seres humanos — fato que torna essa tecnologia comum e segura para fabricação de vacinas ao redor do mundo. A utilização de ovos para a elaboração da matéria prima também permite maior facilidade na produção, por ser de baixo custo.

Já a proteína S, torna o vírus mais forte e fácil de ser transmitido e, portanto, contaminando um número ainda maior de pessoas. Por isso, elaborar uma vacina que esteja aprimorada e preparada para combater a nova mutação é de grande importância.

Estudos e previsões

Os estudos da fase pré-clínica, isto é, feitos em laboratório, apresentaram bons resultados. Agora, o Instituto espera pela autorização da Anvisa para começar os ensaios clínicos. A fase 1 de testes devem começar em breve e consiste em aplicar a vacina em um pequeno grupo de pessoas para avaliar se a substância é realmente segura.

Até o momento, mais de 7300 doses já foram preparadas para os ensaios clínicos. O Instituto Butantan planeja testar a nova substância em 1800 pessoas em um prazo de três meses, começando em abril.

No anúncio da nova vacina, o governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), prometeu que a população paulista estaria totalmente imunizada até o final de 2021. O Instituto Butantan promete disponibilizar 40 milhões de doses a partir de julho. O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, também afirmou que até agosto 100 milhões de doses da ButanVac serão entregues e mais 20 milhões serão compradas em setembro.

Apesar do otimismo, a ButanVac ainda depende de comprovação científica.

O que acontece com a CoronaVac?

A vacina CoronaVac, feita no Brasil em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, utiliza uma matéria prima “IFA” que precisa ser importada, o que acaba atrasando a produção. Contudo, o surgimento da ButanVac não significa a vacina chinesa será descartada.

O cronograma de envio dos elementos necessários para a fabricação da CoronaVac no Instituto Butantan seguirão normalmente e a produção das vacinas também. O instituto também alega que a ButanVac é possível graças ao aprendizado adquirido com a CoronaVac.

Redação

Equipe de jornalistas da redação do Futuro da Saúde.

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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  • Sidney Klajner

    Cirurgião do Aparelho Digestivo e Presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Possui graduação, residência e mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, além de ser fellow of American College of Surgeons. É coordenador da pós-graduação em Coloproctologia e professor do MBA Executivo em Gestão de Saúde no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa do Einstein. É membro do Conselho Superior de Gestão em Saúde, da Secretaria de Saúde do Estado de S. aulo e coautor do livro “A Revolução Digital na Saúde” (Editora dos Editores, 2019).

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