Pacientes com câncer colorretal podem fazer biópsia líquida gratuitamente no Brasil

Pacientes com câncer colorretal podem fazer biópsia líquida gratuitamente no Brasil

Desde o início de 2023 pacientes diagnosticados com câncer colorretal […]

By Published On: 17/01/2023

Desde o início de 2023 pacientes diagnosticados com câncer colorretal metastático podem ter acesso ao exame de biópsia líquida gratuita em todo o país. O método é considerado inovador por ser feito através de uma amostra de sangue, ou seja, menos invasivo do que a biópsia tradicional por tecido, além de ser também mais abrangente. Os resultados do exame permitem avaliar várias características do tumor para que os médicos tomem decisões ao longo da jornada sobre o tratamento mais certeiro para cada paciente — utilizando conceitos da medicina da precisão.

O câncer colorretal, também chamado de câncer de cólon e reto ou câncer do intestino grosso, é o segundo tipo de tumor mais comum no Brasil entre homens e mulheres — o INCA (Instituto Nacional do Câncer) aponta uma média superior a 40 mil novos casos anualmente. Segundo Virgílio Souza e Silva, oncologista clínico do A.C.Camargo, “a biópsia líquida permite avaliar tanto a célula tumoral circulante, que é a CTC, quanto o DNA circulante […] o que permite, durante ou até mesmo antes do início do tratamento, isolar fragmentos do tumor para análise”.

Ele explica que a biópsia tecidual é um procedimento mais invasivo e que acaba não sendo realizado durante o tratamento: “A biópsia líquida tem essa vantagem de permitir que durante o tratamento nós possamos avaliar as características do tumor […] e a vantagem disso está em observar a eficácia do tratamento, se há uma resistência, etc”. Outra vantagem do novo exame, segundo o oncologista, é que os tumores são heterogêneos e, com a biópsia tecidual, existe a possibilidade de se pegar para análise apenas um fragmento do tumor, de forma que a biópsia líquida amplia essa avaliação.

Ainda, estima-se que em torno de 50% dos cânceres colorretais metastáticos possuam alterações no gene KRAS/NRAS, o que pode interferir no resultado do tratamento. A biópsia líquida também permite a observação sobre a mutação do gene e o oncologista indica que “a avaliação sobre as mutações é fundamental, pois algumas alterações predizem respostas a determinados tratamentos”, auxiliando na seleção de uma terapia com uma chance de sucesso maior.

Qualquer paciente com diagnóstico previamente confirmado de câncer colorretal em estágio IIIb ou IV pode solicitar a biópsia líquida por meio do médico, desde que se enquadre em uma das quatro situações: se há alguma barreira logística para análise tecidual, se há intenção de uma nova tentativa de uso de cetuximabe — desde que, após a primeira linha de tratamento, tenha sido feita alguma terapia livre do composto –, se a amostra tecidual não está mais disponível ou se o resultado com biópsia tecidual foi inconclusivo.

O exame é oferecido pela farmacêutica Merck por meio do Programa DETECTA, projeto que nasceu em 2008 e, segundo a empresa, oferece testes a cerca de 3.300 pacientes anualmente. Atualmente quatro laboratórios estão credenciados no programa e realizam o exame: Biomakers, Instituto Hermes Pardini, A.C. Camargo e Amaral Carvalho.

Paola Costa

Estudante de Jornalismo da Cásper Líbero e graduada em Relações Internacionais pela UNIFESP. Compõe o time de redação do Futuro da Saúde desde setembro de 2022. Email: paola@futurodasaude.com.br

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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  • Isabelle Manzini

    Graduada em jornalismo pela Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação. Atuou como jornalista na Band, RedeTV!, Portal Drauzio Varella e faz parte do time do Futuro da Saúde desde julho de 2023.

  • Fernando Maluf

    Diretor Associado do Centro Oncológico da Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer. É formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é Livre Docente. Possui Doutorado em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e especialização no Programa de Treinamento da Medical Oncology/Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em New York.

  • Natalia Cuminale

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