Cuidado com depressão na atenção primária traria R$ 64 bilhões de economia ao Brasil

Cuidado com depressão na atenção primária traria R$ 64 bilhões de economia ao Brasil

Utilizando o Acolhimento Interpessoal (AIP), profissionais da saúde poderiam colaborar com controle dos sintomas iniciais da depressão.

By Published On: 18/03/2024
Governo poderia economizar com ações na atenção primária para sintomas de transtornos depressivos.

Os cuidados com a saúde mental da população são um dos principais gargalos do Sistema Único de Saúde (SUS). A adoção de estratégias de cuidados para depressão, através da atenção primária, poderia trazer uma economia de 64 bilhões de reais para o Brasil. A constatação foi feita em estudo da ImpulsoGov, organização sem fins lucrativos que apoia a gestão pública, obtido com exclusividade por Futuro da Saúde

Com uma estimativa anual de 8,755 milhões de novos casos de transtornos depressivos em adultos acima dos 20 anos, de acordo com dados utilizados do Instituto para Métricas e Avaliação em Saúde da Universidade de Washington, o estudo apontou que o custo-médio de tratamento, com internações, medicamentos e terapias, está em torno de R$ 6.725,10 por pessoa. 

Ainda, estima-se que cada paciente tem um impacto de R$ 33 mil ao ano, por conta da perda de produtividade. No total, o custo social de cada caso de depressão não resistente ao tratamento é de aproximadamente 40 mil reais. Por isso, é importante que os serviços de saúde atuem antes do agravamento dos transtornos.

No estudo, a ImpulsoGov estimou a implementação do SUS em realizar um tratamento precoce utilizando Acolhimento Interpessoal (AIP), considerando que profissionais da saúde que não sejam especialistas em saúde mental poderiam aplicar, como enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comunitários de saúde. O tratamento seria realizado por 9 semanas com duração de 1h30 a cada sessão.

Considerando os investimentos para adequação da atenção primária, o estudo apontou um impacto de R$ 1.457,32 por paciente por ano, ou seja, para cada real investido o país pode ter um retorno de R$ 5,03, referente à economia com o custo social da depressão. No total, mais de 64 bilhões de reais seriam poupados.

De acordo com o estudo, o tratamento utilizando tem como referência a Terapia Interpessoal (TIP), que pode ter uma um impacto significativo em reduzir 22% os sintomas da depressão. Eles apontam que a terapia possui metodologia com comprovação científica e é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Por ser a porta de entrada para os serviços de saúde, a atenção primária é vista como uma oportunidade de mudar o cenário das doenças e transtornos mentais no país.

Rafael Machado

Jornalista com foco em saúde. Formado pela FIAMFAAM, tem certificação em Storyteling e Práticas em Mídias Sociais. Antes do Futuro da Saúde, trabalhou no Portal Drauzio Varella. Email: rafael@futurodasaude.com.br

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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