As tendências para a saúde em 2021

2021 não será menos desafiador que 2020, mas certamente será um ano para consolidarmos práticas que começamos lá atrás, um pouco às pressas e sem necessariamente ter uma estratégia

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Não preciso nem dizer que o ano de 2020 foi completamente atípico, com uma pandemia de um novo vírus que trouxe repercussões inesperadas para a saúde, para a economia e para a sociedade em diversas esferas. 

Chegamos em 2021 e não significa que já é  possível fazer previsões precisas, mas podemos apontar algumas tendências e expectativas em relação à saúde nesse novo ano. Lembrando que ainda estamos longe do chamado mundo ‘pós-pandemia’. A pandemia de coronavírus ainda segue ativa, com aumento de casos e mais de um milhão de mortos ao redor do mundo.

2021 não será menos desafiador que 2020, mas certamente será um ano para consolidarmos práticas que começamos lá atrás, um pouco às pressas e sem necessariamente ter uma estratégia. Abaixo, os principais tópicos para prestar atenção na saúde.

Vacina

A grande expectativa desse ano é em relação à vacina contra a covid. Embora não tenhamos uma data determinada para o início aqui no Brasil, espera-se que as pessoas dos grupos prioritários comecem a receber suas doses ainda no primeiro trimestre desse ano. Temos 64 vacinas em desenvolvimento, sendo que 20 delas estão em fase mais avançada de estudos. Se por um lado há uma ansiedade para a disponibilidade de uma imunização no Brasil, por outro, temos um número crescente de pessoas que afirma não querer uma vacina. Pesquisa Datafolha aponta que, ao todo, 22% dos entrevistados disseram que não pretendem se vacinar e 5% disseram que não sabem. É crescente o desafio da comunicação em saúde, principalmente na guerra contra as fake news que surgem de todos os lados — dos políticos aos vídeos espalhadas pelo WhatsApp. Apesar disso, acredito que, assim que as doses estiverem disponíveis e as pessoas tiverem conhecimento sobre o potencial de proteção, o medo deve diminuir. Mesmo quem tem receio, vai perceber que não há porque fugir da imunização. Vai ser um grande passo para caminharmos para o tal mundo ‘pós-pandemia’. Essa, é claro, é só a ponta do iceberg. Ainda teríamos que falar da guerra dos países por doses, capacidade da indústria farmacêutica para produção em grande escala e mutação do vírus. O distanciamento não chegará ao fim neste ano. Mas preciso seguir para o próximo tópico.

Saúde mental 

Luto, ansiedade, depressão e altas taxas de stress foram temas recorrentes durante o ano passado e certamente a saúde mental continuará a ser um desafio em 2021. Os especialistas preveem que os problemas psíquicos devem levar a uma ‘quarta onda’ da pandemia. A falta de contato com outras pessoas, a redução da atividade física, as perdas financeiras, a morte de pessoas queridas, as crianças fora da escola, as consequências da própria Covid… tudo isso tem impacto na saúde mental. Todos devemos ter atenção redobrada em relação à isso – os profissionais e as autoridades de saúde também devem se planejar para acolher a nova demanda.

Desigualdade na saúde 

A saúde no Brasil sempre foi desigual, apesar do SUS. Não foi a pandemia que causou a diferença entre os mais ricos e os mais pobres, mas ela certamente ajudou a ampliar o abismo. A recessão econômica causada pelo surgimento do coronavírus somada à lentidão na resposta do governo com medidas eficientes colaboram com o cenário de crise, com sua duração e impacto na vida das pessoas. Estudos diversos publicados ao longo da pandemia mostraram que os pobres têm menos acesso ao atendimento, são menos testados e tem maior índice de mortalidade. Enquanto não houver uma ação de política pública orquestrada, o problema continuará sendo arrastado, sob o risco de se tornar mais uma doença para ser somada à lista das neglicenciadas pelo poder público. 

Telemedicina 

A telemedicina era para ter sido uma promessa em 2019, mas por questões políticas acabou não avançando. Diante da crise mundial causada pelo novo coronavírus, a telemedicina foi autorizada no país em caráter temporário durante a pandemia é mesmo que o coronavírus suma do mapa (o que é improvável, diga-se), ela veio para ficar. Diversas empresas surgiram e outras se expandiram com a oferta de consultas e serviços médicos à distância. Os profissionais da saúde, antes receosos, acabaram se adaptando à nova realidade. E os pacientes puderam experimentar a praticidade de receber o atendimento sem sair de casa. A grande expectativa é que a telemedicina ajude a ampliar o acesso à saúde. É claro que a prática carrega alguns desafios em termos de qualidade do serviço, liberdade de escolha para o médico e paciente, além da precificação. Mas não existir sequer a possibilidade de um atendimento remoto um ano atrás era um atraso. 

Startups 

A saúde sempre vai precisar de soluções e de um olhar que muitas vezes não surge de uma grande corporação. Com essa possibilidade de inovar combinada à agilidade e à tecnologia, ganham espaço as startups de saúde ou as healthtechs. Muitas dessas iniciativas nasceram e cresceram em 2020. Neste ano, são uma grande aposta para trazer celeridade e inovação para a saúde brasileira. 

Comunicação 

No universo da comunicação, do qual faço parte, já há quem veja 2020 como um ano fracassado e quem enxergue 2021 como mais um ano perdido. De fato, as fake news, o negacionismo, o holofote para porta-vozes com vozes duvidosas desanimam sim. Mas eu penso diferente de uma parte dos colegas. Acredito que fizemos um trabalho extraordinário de comunicação em 2020 (apesar da exaustão, da repetição) e continuaremos fazendo em 2021. O valor da informação e da educação em saúde nunca foi tão debatido. E, se no ano passado começou essa construção, 2021 é o ano para não deixar esse interesse se perder. As pessoas estão olhando para a saúde do país e para a própria saúde, não é hora de se lamentar e perder a oportunidade de entregar a melhor informação que temos, mesmo que seja repetitivo. 

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