Home Entrevista Ary Ribeiro, CEO do Sabará: “Queremos liderar o ecossistema pediátrico”

Ary Ribeiro, CEO do Sabará: “Queremos liderar o ecossistema pediátrico”

Na entrevista do mês de fevereiro, Ary Ribeiro explora as principais tendências da saúde sob o olhar do cuidado pediátrico

               
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“Criança não é um adulto pequeno”, já esclarece Ary Ribeiro, CEO do Hospital Infantil Sabará, sobre as especificidades da pediatria dentro do complexo contexto do setor da saúde. Ele é o entrevistado do mês de fevereiro no Futuro da Saúde. Apesar da grande diferença em relação ao paciente adulto, o universo pediátrico também enfrenta todos os desafios inerentes ao sistema, da necessidade de trazer inovação à busca por parcerias estratégicas que fortaleçam o modelo.

Ribeiro é médico, com especialização em cardiologia e fisiologia clínica, e Ph.D. em ciências médicas pelo Instituto Karolinska, da Suécia. Sua carreira iniciou em uma trilha médico-científica, mas deu uma guinada para a área de gestão em 2000, época que não era comum ter médicos com esse olhar mais administrativo.- o que tem mudado cada vez mais.

Durante a conversa, ele explorou o impacto da pandemia no cuidado pediátrico, abordou como algumas tendências da saúde – busca por eficiência operacional, sustentabilidade do setor, formação de ecossistemas e inovação – se desdobram na pediatria, contou os planos do Sabará para o futuro e refletiu sobre a carreira: “Um médico, para seguir a carreira de gestão, o ideal é que tenha tido uma experiência assistencial, porque assim terá mais robustez no entendimento daquilo que está gerindo”. Confira os principais trechos da entrevista:

Para começar, qual leitura você faz do momento atual, depois de dois anos de pandemia?

Ary Ribeiro – A situação atual é de uma clara regressão da onda Covid. E qual é a evidência disso? No que diz respeito ao atendimento de crianças, as evidências são redução do número de procura ao pronto-socorro por sintomas respiratórios, redução da positividade dos casos que são atendidos no PS e redução do número de pacientes internados. Quando tivemos um momento de pressão no pronto-socorro, que começou em dezembro e foi até janeiro, houve uma combinação da Influenza com Covid. Notamos, sim, um aumento progressivo de casos de Covid, que explodiu principalmente na semana epidemiológica 51, que nós não vimos em nenhuma outra onda. Por outro lado, não houve uma correspondência proporcional de internações. O que houve foi um aumento significativo do número de internações em relação à base muito pequena, principalmente das crianças com comorbidades. Como a Ômicron é extremamente transmissível, ela se disseminou muito na sociedade. E as crianças estão na sociedade.

Já é possível saber o impacto da vacinação nas crianças?

Ary Ribeiro – Eu gostaria que fosse uma relação direta, mas ainda não dá para dizer. Importante ressaltar que seguimos as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria e defendemos a vacinação como foi aprovada pelas autoridades sanitárias. Esclarecemos diariamente quais são os riscos e benefícios e advogamos para que sejam seguidas as recomendações das sociedades e das autoridades sanitárias.

Mas infelizmente estamos notando alguma hesitação das famílias. Por que você acha que isso acontece? É por causa de fake news, por exemplo?

Ary Ribeiro – Tem de tudo um pouco. Têm pessoas que são influenciadas, mas há aquelas altamente esclarecidas que têm dúvida. Acho um absurdo qualquer adulto em grupo de risco questionar as novas tecnologias de vacina, porque o risco é muito maior do que o benefício.

“Porém, quando você chega nessa faixa de 5 a 11 anos, há um questionamento de famílias que não estão vendo um cenário tão trágico. Têm muita fake news, coisas horríveis na internet, absolutamente sem base, que assusta. Mas não dá para simplificar”.

O público adulto deixou de ir para os hospitais ou procurar atendimento médico para cirurgias eletivas, por exemplo. Isso também se aplica para o público infantil?

Ary Ribeiro – Muito. Houve uma queda muito expressiva em 2020 da demanda hospitalar por dois motivos. O primeiro é que, com o distanciamento social, não houve a sazonalidade do vírus respiratório. Os meses tradicionalmente de maior demanda acabaram sendo os de menor demanda. O segundo motivo é que todo mundo tinha receio de ir ao hospital. O impacto de redução de demanda na pediatria foi muito maior do que nos hospitais de adulto, porque não tinha Covid, sazonalidade respiratória e nem os casos eletivos. Abril de 2020 teve um resultado 60% menor.

Depois voltou a recuperar?

Ary Ribeiro – No segundo semestre de 2020 começou a aumentar um pouco, mas em um patamar ainda bem abaixo dos anos anteriores. Essa recuperação foi progressiva no primeiro semestre de 2021 e, a partir do segundo semestre de 2021, teve um aumento significativo da demanda não relacionada à Covid, com uma sazonalidade respiratória um pouco mais precoce, que trouxe uma certa pressão. Esse ano começou também com uma grande pressão, explicada ainda pela sazonalidade respiratória e pela combinação da Ômicron com Influenza.

Com todo esse cenário veio a regulamentação da telemedicina. Como isso funciona com o público pediátrico? Qual sua análise de modo geral?

Ary Ribeiro – No contexto da autorização emergencial, fomos extremamente precoces em estruturar a nossa telemedicina em março de 2020. Já era um projeto, mas colocamos no ar 3 semanas. Por quê? Porque era importante as pessoas terem um canal para tirar dúvidas e saber se deveriam levar o filho ao pronto-socorro.

“Começamos a telemedicina com dois objetivos. Um era não deixar que casos de maior gravidade ficassem esperando em casa. Outro era orientar aqueles casos com suspeita ou diagnóstico de Covid, mas que não precisavam ficar internados, apenas monitorar”.

De lá para cá, a telemedicina tem sido extremamente útil, tanto na vertente de pronto-socorro e nos casos que depois são monitorados em casa, quanto para aqueles que ficavam esperando o resultado de um exame. Introduzimos também em 2020 a telemedicina para consulta de especialistas e agora entramos em um projeto pioneiro com o Hospital Pequeno Príncipe para utilização de um aparelho que dá para fazer exame em casa.

Como funciona essa parceria com o Hospital Pequeno Príncipe?

Ary Ribeiro – O Pequeno Príncipe trouxe esse aparelho chamado Tyto Care e nos chamou para entrar nessa empreitada com eles. Montamos uma empresa em conjunto, chamada Tuinda, para trazer esse device para o Brasil. Ele é muito bom para a pediatria, porque você vê garganta, ouvido, temperatura, ausculta o coração, pulmão. Isso pode melhorar muito o cuidado das crianças. Entendemos que a telemedicina é muito importante para o acesso, para aumentar a qualidade e a segurança da assistência e para a continuidade do cuidado.

Na área da saúde há um debate muito intenso sobre ecossistema, sustentabilidade do setor, investimentos em atenção primária, mudança de modelo de remuneração, coordenação de cuidado, dentre outros. Esses desafios existem igualmente na área pediátrica, que também é muito focada em prevenção e orientação?

Ary Ribeiro – A pediatria é parte do sistema, então tudo o que diz respeito ao sistema, diz respeito à pediatria com as suas especificidades. Os desafios são os mesmos, as especificidades é que são diferentes, porque criança não é um adulto pequeno.

Uma diferença que existe entre o cuidado do adulto e do pediátrico é o cuidado especializado, pois os eventos mais graves ligados à especialidade são mais raros nas crianças, então a escala é menor. Mas no que diz respeito à visão de atendimento hierarquizado por grau de necessidade ou complexidade e por necessidade de coordenação e continuidade, é a mesma coisa.

Basicamente, existe a pediatria geral ou primária e a pediatria especializada. Dentro da pediatria especializada, há graus distintos de especialização e de complexidade naquele atendimento. Na pediatria primária, você tem a puericultura, tem o pediatra geral, que em muitos modelos de atenção primária entra como um dos médicos.

Como o Sabará se posiciona neste contexto?

Ary Ribeiro – O posicionamento do Sabará é de pediatria especializada. Estamos em um sistema para ajudar a resolver os problemas que são especializados em pediatria. E o posicionamento estratégico complementar a esse é: o Sabará está inserido como protagonista na construção de um sistema de cuidado pediátrico integrado. Ou seja, eu sou especialidade, mas converso, coordeno e integro um sistema que tem a pediatria primária e as referências em todas as suas instâncias. O sistema de cuidado pediátrico integrado é aquele que pode ser uma solução integral sem ter tudo.

A proposta do Sabará não é ter tudo, mas é ser protagonista na integração e fazer com que as coisas funcionem na continuidade do cuidado, resolvendo a especialização. E dentro da especialização, se colocando como o hospital pediátrico geral da criança com condições complexas. Que é o conceito de children’s hospital.

Pensando na questão de escala, quais são os planos de expansão do Sabará?

Ary Ribeiro – Existe um plano em execução que hoje está focado na região metropolitana de São Paulo. Há um projeto em curso para um novo hospital na Avenida Rebouças, que deve sair até o final de 2025, início de 2026. É um projeto muito bacana de um hospital pediátrico de 180 leitos, que vai fortalecer o posicionamento do hospital geral das crianças com condições complexas, trazendo para nossa capacidade de resolução de problemas um grau até maior do que temos hoje. E esse plano de expansão pressupõe a manutenção do atual. É uma expansão tanto em capacidade como de amplitude de atendimento. Nosso plano é expandir a capacidade de atender em número de leitos e unidades ambulatoriais especializadas integradas a unidades pediátricas gerais e de público de base, indo até a acomodação coletiva.

Você acredita que há uma tendência de que os hospitais se concentrem em nichos, como o Sabará se concentra em pediatria?

Ary Ribeiro – Existem duas lógicas aqui. Existe a lógica de hospitais isolados e tem a lógica das redes. As redes precisam ter pediatria para elas serem uma solução integral para os contratantes. Já nos hospitais isolados, é possível que eles não invistam tanto em pediatria, apesar de ter essa área. Porque uma coisa é ter, outra é colocar o foco nisso. Este hospital isolado pode ter um posicionamento de oferecer tudo ou ele pode entender que, dentro de sua estratégia, é melhor não ter pediatria e escolher outra especialidade. Depende muito de cada hospital. No nosso caso, temos conhecimento, competência e massa crítica para buscar soluções na pediatria especializada. E capacidade de articular e de ser articulado com a parte primária para ter um sistema integrado. Nossa visão é: aumentar a capacidade, fortalecer o posicionamento do hospital geral da criança com condições complexas, fomentar o sistema integrado e ampliar a expansão, não só a física, mas também da porta de acesso.

Nesse contexto, como o Sabará enxerga a questão do ecossistema?

Ary Ribeiro – O Sabará pretende desenvolver e fomentar o ecossistema da pediatra. E esse ecossistema pode estar acoplado a outros ecossistemas maiores de várias formas.

O fato é que, assim como temos esse foco em pediatria, temos toda a competência de ser fomentador do ecossistema pediátrico, de sermos a liderança que protagoniza a formação desse ecossistema sem que o nosso plano seja ser dono dele. Mas sim ter integração, parceria”.

O Sabará, inclusive, fez recentemente uma parceria com o AC Camargo e você citou outra com o Pequeno Príncipe…

Ary Ribeiro – São parcerias que fazem sentido. Primeiro, você só faz parceria com quem você tem identificação de princípios e valores. Segundo, é a complementaridade em relação ao outro. No caso do Pequeno Príncipe, temos uma complementaridade por sermos hospitais exclusivamente pediátricos, de muita massa crítica, de conhecimento que está sendo gerado em pediatria, de termos um projeto comum e de termos uma visão de futuro de ser um hospital único, virtual. Um hospital pediátrico, sem tijolos que une as duas principais competências em pediatria do Brasil. É uma ideia ainda embrionária.

E com o AC Camargo?

Ary Ribeiro – No caso do AC Camargo é a complementaridade das competências em prol da saúde das crianças com câncer. O AC Camargo tem uma enorme competência em oncologia. Nós temos uma enorme competência em pediatria. Temos recursos aqui e o AC Camargo tem recursos lá. Por exemplo, nós não temos radioterapia e nem vamos ter. O AC Camargo tem. O paciente pediátrico com câncer no AC Camargo hoje tem suporte dos nossos especialistas através de interconsulta, telemedicina ou através de visita lá. Da mesma forma, nós temos aqui uma equipe médica de oncologia pediátrica do AC Camargo, que funciona de retaguarda do Sabará. E com isso a gente fomenta um melhor cuidado para criança com câncer.

Você atua nessa área de gestão em saúde desde 2000, uma época em que um médico pensar em gestão era mais raro. Hoje essa mentalidade tem mudado, há médicos que querem criar empresas, startups. Como foi, como tem sido e como você vê essa questão da gestão em saúde hoje?

Ary Ribeiro – Eu não direcionei minha carreira para gestão, foi algo que aconteceu. Toda a minha carreira foi médico-científica. Me formei no Rio em 1979. Fiz a minha formação de residência e os primeiros anos de trabalho no Rio até 1987, quando saí do Brasil para passar 2 anos na Suécia, no Hospital Karolinska. Acabei ficando 12 anos lá, onde segui essa linha médico-científica. Eu era médico e pesquisador clínico. Fiz tese de doutorado em ciências médicas, publicava bastante. Aí resolvi voltar para o Brasil e por acaso entrei para a área de gestão. E o início foi muito difícil, porque toda a minha identidade não era de gestão. Era ligada a uma carreira médico-científica. Então, passei por momentos de muito questionamento. Fui entendendo isso melhor e, por exemplo, notei que eu sou muito motivado conhecimento, independentemente da área em que atuo. Vi que era uma área que dava para seguir. E aí, progressivamente fui fazendo uma transição.

E como foi essa transição?

Ary Ribeiro – Foi muito mais intuitivo e de autoaprendizado do que propriamente de formação. Eu nunca fiz MBA. Não estou falando isso como uma vantagem. Só estou querendo dizer que minha carreira de gestão foi muito baseada nos aprendizados e em alguns cursos. Mas um curso longo assim eu não fiz. Eu acho que um médico, para seguir a carreira de gestão, o ideal é que ele tenha tido uma experiência prática, assistencial. Porque assim, na minha opinião, você tem mais embasamento e robustez no entendimento daquilo que você está gerindo. Uma coisa que me ajudou e me ajuda na gestão é meu conhecimento de metodologia científica, que eu fiz por conta da minha carreira na Suécia. Por todos os lugares que passei tive a oportunidade de ter um grau de liderança. Isso, junto o conhecimento científico e outros pontos motivadores, me ajudou nessa transição.

Agora, pensando um pouco nesse novo cenário de inovação, há muitas startups surgindo. Isso tem acontecido também na pediatria?

Ary Ribeiro – Inovação em saúde existe independentemente do segmento. O Sabará iniciou esse ano a implementação de um programa de inovação. E ele tem um foco: identificar oportunidades direcionadas ao aumento da eficiência operacional. Estamos dando atenção na mudança de cultura, de mindset, ao mesmo tempo em que aproveitamos oportunidades que têm aparecido para implementar soluções inovadoras incrementais, transformacionais ou disruptivas, que aumentem a eficiência operacional.

“O nosso programa de inovação não é, por exemplo, um portfólio de startups que a gente acelera. Mas temos startups focadas no desenvolvimento de produtos que são interessantes para nós e para o mercado na vertente da eficiência operacional”.

É preciso lembrar que o Sabará tem como mantenedora a Fundação José Luiz Egydio Setubal, cujo propósito é contribuir para uma infância saudável que leva a uma sociedade melhor. E, que cumpre este papel prestando assistência de excelência e em interdependência com o Instituto Pensi, sendo também campo para geração de conhecimento.

Há algum exemplo desse desenvolvimento em parceria com startups?

Ary Ribeiro – Sim. Nós desenvolvemos um produto que vai entrar na fase de teste no mundo real que chamamos de workforce management. É um produto que nos permite avaliar em tempo real a alocação, distribuição e eficiência da força de trabalho da enfermagem. Com isso, poderemos entender se estamos com o quadro adequado para a complexidade dos casos que a gente tem, distribuídos naquele plantão de forma adequada nas diferentes unidades. Esse é um exemplo. Uma startup trouxe uma ideia de desenvolver uma prova de conceito, desenvolvemos, montamos o produto, o produto deu o resultado que a gente esperava e esse mês ele entra em produção para teste no mundo real.

Caminhando para o fim, qual a sua análise sobre o que está por vir na saúde agora em 2022?

Ary Ribeiro – O primeiro ponto é uma análise do tamanho do mercado da saúde suplementar. Acho que não cresce como em 2021, mas também não cai. A economia tem sido, ao longo dos anos, um driver muito forte de crescimento do número de beneficiários na saúde suplementar. Sempre foi uma relação muito direta, entre empregos formais e número de beneficiários.

As previsões para esse ano são de crescimento muito baixo da economia. Portanto, talvez não aponte para um crescimento de número de beneficiários. O que pode acontecer é movimentação entre planos, de uma operadora não verticalizada para verticalizada, de um plano que dá acesso a uma rede mais ampla por uma rede mais restrita. É a tendência daqui para a frente”.

E em relação à pandemia?

Ary Ribeiro – Em relação à pandemia, vejo uma maior probabilidade de passarmos para uma endemia talvez no segundo semestre. A partir daí, vejo que 2022 é um ano de retomada das relações sociais mais próximas daquela que a gente tinha antes de 2020, com alguma manutenção de hábitos e cuidados ótimos e que são necessários. O risco é surgir uma nova variante com perfil diferente da Ômicron, cujo escape vacinal existe para infecção, mas não existe para a gravidade de doença. E acho muito importante essa consciência que já existe hoje de que escola não deve ser fechada, pois o dano é muito maior do que o risco. Pode ser que exista a necessidade de fazer isso se ficar evidenciado que naquela comunidade, naquela escola, naquela situação, precisa fazer, mas como medida generalizada acho que ficou claro que não foi a melhor decisão que todos nós tomamos.

Para fechar, qual a maior preocupação hoje com a vacina para crianças?

Ary Ribeiro – A grande tragédia que deve ser evidenciada – e não estou minimizando o problema da Covid – é o que está acontecendo com a vacinação em geral. É uma tragédia enorme se a gente voltar a ter sarampo, poliomielite. O índice de cobertura vacinal geral está baixo. Eu acho que um grande benefício que os meios de comunicação, que os formadores de opinião, devem fazer é chamar a atenção para a vacinação em geral. O Brasil tem um excepcional programa de vacinação. Isso tem que ser preservado.

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