Antiviral contra a Covid-19 mostra-se promissor em pesquisa pré-clínica

Novo medicamento apresenta potencial para controlar infecção e evitar novos surtos de Covid-19, segundo artigo publicado na revista Nature.

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Um medicamento chamado molnupiravir, desenvolvido originalmente para tratar a gripe, está se mostrando promissor como um possível tratamento para o Covid-19. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, publicado recentemente na Nature, descobriu que a substância EIDD-2801 reduziu drasticamente o número de partículas virais em testes pré-clínicos, com ratos de laboratório.

De acordo com o estudo, ao ser testado 24 e 48 horas após a infecção, o medicamento reduziu a quantidade de vírus presente no organismo. No segundo dia de tratamento, foi identificado uma redução de 96% da carga viral. A substância também foi capaz de proteger contra o novo coronavírus quando ingerida 12 horas antes da infecção e também após, quando tomada a cada 12 horas. 

O estudo foi feito em camundongos, o que implica algumas limitações. O coronavírus que conhecemos é incapaz de infectar os roedores, por isso, foram usados enxertos de tecido pulmonar de humanos em ratos. O objetivo era analisar os efeitos do vírus e da substância de forma que refletisse a diversidade de células no pulmão humano. Quando infectado com o SARS-CoV-2, os danos encontrados foram os mesmos de um pulmão humano, com o mesmo excesso de inflamação. 

É preciso lembrar que a pesquisa ainda está em andamento. As fases 2 e 3 do estudo estão ocorrendo agora para checar a segurança e eficácia do medicamento nas pessoas. A estimativa é de que resultados preliminares sejam divulgados ainda em março de 2021.

Além disso, os pesquisadores buscam descobrir qual a probabilidade de ainda se transmitir o vírus mesmo após a carga viral diminuir com o uso deste medicamento. Caso obtenham bons resultados, isso indicaria que seria possível evitar futuros surtos de Covid-19 e receitar essa substância como tratamento preventivo em ambientes de alto risco, como em lares de idosos.

No Brasil, a Universidade Federal do Paraná também tem estudado o mesmo medicamento. Tão otimistas quanto os cientistas da Universidade da Carolina do Norte, eles esperam que seja possível usá-lo até 7 dias após os sintomas aparecerem, fazendo com que o quadro da doença seja menos grave no infectado e reduzindo a probabilidade de transmissão do vírus.

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