Amanda Spina, presidente da Janssen Brasil: “Pesquisa clínica contribui para desenvolver todo o ecossistema de saúde”

Amanda Spina, presidente da Janssen Brasil: “Pesquisa clínica contribui para desenvolver todo o ecossistema de saúde”

No mais recente episódio de Futuro Talks, Amanda Spina fala sobre o potencial da pesquisa clínica no Brasil e os desafios para aumentar a atividade no Brasil

By Published On: 03/07/2023
Amanda Spina, presidente da Janssen Brasil, no Futuro Talks

O Brasil tem um potencial muito forte para ampliar pesquisas clínicas, principalmente pela diversidade de sua população, que poderia aumentar a qualidade dos dados dos ensaios. Contudo, precisa superar alguns desafios, como aumentar a agilidade de aprovações e até mesmo desenvolver seu arcabouço legislativo para dar segurança jurídica. Este foi um dos principais temas abordados por Amanda Spina, presidente da Janssen Brasil, no mais recente episódio de Futuro Talks, o quadro de entrevista de Futuro da Saúde no YouTube.

A executiva assumiu recentemente a presidência da farmacêutica e chega com um desafio que permeia todo o setor: ampliar o acesso aos tratamentos mais inovadores ao mesmo tempo em que se busca a sustentabilidade do sistema. Durante a conversa, Spina apontou alguns caminhos para atingir esse objetivo. Um deles é a necessidade de diálogo e cocriação, que precisa acontecer não apenas dentro do setor, mas com todos os elos em seu redor. Outro é justamente o fomento à pesquisa clínica, pois isso contribui para toda a melhoria do ecossistema, dos centros de pesquisa até mesmo os voluntários que participam. Ela citou como exemplos positivos as Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), em que as farmacêuticas firmam acordo para transferir tecnologia e fomentar a produção local. Neste contexto, ela também sinalizou que vê com bons olhos o potencial do Complexo Econômico e Industrial da Saúde.

Especificamente sobre os planos da Janssen, Amanda Spina revelou que a empresa tem explorado intensamente três áreas específicas: terapia celular, terapia gênica e medicina de precisão. Segundo ela, são áreas estratégicas e que podem levar a um processo de cura ao permitir, como no CAR-T, aplicações únicas e personalizadas. A executiva também abordou outros temas como a ampliação de dados, o tempo para chegada de tratamentos no País e até aspectos da liderança feminina nas organizações.

Confira a entrevista a seguir:

https://youtu.be/Cbl2VJAR3-o

Você acabou de assumir a presidência da Janssen. Como foi sua trajetória até você chegar aqui?

Amanda Spina – Há 12 anos cheguei no mercado da saúde depois de outras experiências com consumo e automobilismo, dentre outros setores, mas a saúde tem um propósito muito grande, que enche a gente de orgulho. Porque tem um impacto na vida das pessoas de uma forma extremamente positiva. Chego na Janssen – que é a farmacêutica da Johnson & Johnson – com muita responsabilidade de fazer uma contribuição para a saúde do país, para a inovação, o fomento à inovação e também ao acesso dos pacientes brasileiros.

Quais são os seus principais objetivos agora à frente da Janssen? Para onde pretende levar a companhia?

Amanda Spina – A Janssen já está num caminho extremamente positivo aqui no Brasil. Uma empresa que está muito focada nas inovações atuais e futuras e em como garantir o acesso à população brasileira. E todo o trabalho que nós fazemos dentro da Jansen é muito focado em como a gente cocria, como temos a conversa também com diversos agentes e o setor como um todo, para que alavancar não apenas a economia, mas também pensando na saúde dos brasileiros.

Há pouco tempo você participou, junto a lideranças da indústria farmacêutica, de um encontro em Brasília com a ministra da saúde Nísia Trindade e o vice-presidente e ministro de desenvolvimento Geraldo Alckmin. Como foi esse encontro e qual é a expectativa do papel da indústria nesse novo governo?

Amanda Spina – Foi um encontro extremamente interessante. Conseguimos falar com diversas pessoas, tendo interlocução através da Interfarma, e com alguns membros da indústria farmacêutica para que a gente conseguisse colocar em pauta alguns temas extremamente importantes, sempre com o paciente no centro, que é o mais relevante quando nós olhamos para o nosso propósito. Temas de Anvisa, como ajudar a fortalecer a Anvisa, o INPI. Falamos muito sobre pesquisa clínica também. Enfim, trouxemos diversos temas para que a gente consiga iniciar um diálogo, que é o que vem tanto sendo falado e feito por esse governo atual.

Não tem como falar de indústria sem falar de acesso. E a Janssen atua ativamente, por exemplo, na questão das PDPs. Você acredita que essa também é uma forma de ampliar o acesso?

Amanda Spina – Sim. É uma das formas de ampliar o acesso e que vem sendo muito discutida atualmente. Assim como o Complexo Econômico e Industrial da Saúde pode ser extremamente estratégico não apenas para a economia, mas também para a sustentabilidade do sistema. Há algumas metas ambiciosas, mas que eu vejo que o governo está buscando meios para conseguir atingir. Por exemplo, 70% da necessidade em saúde sendo desenvolvida aqui, internamente, no Brasil. Nosso papel como Janssen é contribuir. Temos, hoje, duas transferências de imunobiológicos complexos e originadores. São transferências que estão acontecendo, uma delas, inclusive, nesse ano a gente tem um marco superimportante que é de fato a finalização e a nacionalização do IFA. Quando a gente olha de uma maneira mais ampla para transferência de tecnologia, nós não estamos falando apenas de nacionalização, estamos falando de sustentabilidade do sistema, capacitação técnica de profissionais, pesquisadores, construção de fábricas – que são idênticas às nossas –, originadores complexos biológicos.

Tem uma série de coisas que a gente acaba trazendo para o país de benefício que é extremamente interessante e que não está apenas baseada na tecnologia, e sim em como a gente faz uma construção de conhecimento e capacitação aqui também para o país.

É um processo que demora muito?

Amanda Spina – É um processo que demora, mas que cada vez mais nós vamos aprendendo. Então, é natural que as primeiras vezes levem mais tempo. Porque a quantidade de aprendizado que tem que ser realizado é muito maior. Por outro lado, a partir do momento que você já vai aprendendo, vai também otimizando prazos, porque o conhecimento já está dentro de casa. Eu acredito que levou um tempo razoável e que foi o acordado de fato para essas tecnologias. Mas para as próximas – não falando apenas de Janssen, mas do setor – cada vez mais o país vai aprendendo com essas transferências.

Você trouxe a questão do complexo industrial da saúde, que todo mundo sabe que é uma das grandes pautas desse novo governo. Nesse contexto das PDPs, há planos da Janssen para aumentar esses projetos aqui no Brasil?

Amanda Spina – A gente está dialogando com o governo e, como mencionei, nossa responsabilidade é garantir que a gente possa contribuir. Temos algumas conversas, muito mais levando para o aprendizado que a gente tem com essas duas tecnologias que já estão sendo transferidas. E como a gente pode contribuir para também talvez sair de uma política de governo e entrar em uma política de estado e em como ampliar o arcabouço normativo. Então, há vários diálogos em que podemos contribuir com a experiência que temos.

Há estudos que mostram que 65% das pesquisas com novos medicamentos acontecem principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Eu queria entender um pouco a sua perspectiva e a sua visão de como ampliar isso no Brasil. Você acha que essa é uma pauta importante?

Amanda Spina – É uma pauta extremamente relevante e que precisa ser olhada com atenção. Há várias indústrias que já investem bastante em pesquisa clínica. Mas, novamente, conforme a gente vai deixando um ambiente cada vez mais seguro juridicamente, conseguimos fazer essa contribuição como setor. Para você também ter um cenário de Janssen em relação à pesquisa clínica, nós somos uma das 5 empresas que mais investem no Brasil em pesquisa clínica. Atualmente, temos mais de 50 estudos em andamento, alguns deles, inclusive, já começando no próximo mês. E aqui tem uma contribuição extremamente relevante que eu vejo de pesquisas clínicas no Brasil, que não é apenas o conhecimento, novamente, técnico. Envolve o desenvolvimento na capacitação dos centros que existentes no Brasil – nós estamos em mais de 500 centros. É benefício aos voluntários também. Em três anos, tivemos mais de 30.000 voluntários nas pesquisas clínicas que fizemos. Tem uma coisa no Brasil que é extremamente interessante que é a diversidade da nossa população.

O Brasil traz uma diversidade impressionante e que acaba sendo um fator de diferenciação em como a gente consegue fazer pesquisas clínicas aqui para o nosso país e para diversas outras populações do mundo.

E de alguma forma, a pesquisa clínica pode ajudar a ampliar o acesso?

Amanda Spina – Eu acho que pode ter essa ligação, porque a partir do momento que você faz com populações do seu país, que estão aqui dentro, que tem as culturas diferentes, que tem a nossa diversidade aqui do nosso país, isso também acaba fazendo uma contribuição para o acesso, com certeza. São os nossos dados de fato sendo desenvolvidos no país para também depois distribuir e beneficiar os nossos pacientes com aquele medicamento.

Sempre ouvi que é muito difícil fazer pesquisa no Brasil por causa da burocracia, da demora para conseguir aprovar uma pesquisa, e às vezes isso acaba atrasando o estudo multicêntrico e internacional. Como enxergam esse cenário?

Amanda Spina – Apesar das dificuldades ou das melhorias que nós podemos ter na pesquisa clínica, a Janssen não deixa de investir aqui no Brasil. Tanto que nós temos mais de 50 estudos em andamento. Porém poderia ter um cenário melhor do que isso. Então, a gente tem que olhar muito mais pela oportunidade de a gente trazer ainda mais investimentos para o país. Tem uma questão de agilidade e tem uma questão de como que a gente consegue avançar com menos burocracia, assim como você mencionou. Tem várias coisas que estão sendo discutidas – e novamente, da mesma forma que nós falamos no Complexo Econômico e Industrial da Saúde, aqui é mais ou menos parecido – em como ampliar o arcabouço normativo para ter mais segurança, mais agilidade e melhor esclarecimento de como que as coisas funcionam de fato.

Você acha que está caminhando para isso?

Amanda Spina – Tem algumas coisas já avançando, possivelmente no Congresso. E essa é uma das discussões centrais para a inovação. Então, esse é um dos temas que são muito discutidos no setor e está caminhando, sim.

Recentemente viralizou a notícia de um paciente que teve uma remissão total depois de um tratamento com CAR-T, feito num hospital aqui em São Paulo. O CAR-T está acessível para as pessoas, já está disponível? Para qual tipo de doença?

Amanda Spina – Essa é uma tecnologia impressionante, de fato. Na hora que você vê os resultados, são extremamente impactantes. A Janssen tem um CAR-T aprovado, que ainda está numa fase de preço e de aprovações, no trâmite natural que acontece com a Anvisa. Então, em breve nós teremos mais notícias sobre a vinda do nosso CAR-T, que é especificamente para mieloma múltiplo, um câncer de sangue. Basicamente, quando a gente pensa em terapia celular – que é uma das inovações e é o futuro também de algumas indústrias e, certamente, da Janssen – nós estamos falando de tecnologias muito promissoras. No CAR-T, para quem não conhece, você coleta as células T do organismo do paciente. Elas são transformadas e modificadas geneticamente em laboratório. A partir disso, são ampliadas também e são reinfundidas numa infusão única. Então, tem uma grande perspectiva de impacto na vida de milhões de pacientes.

Pensando agora que o CAR-T é uma terapia extremamente personalizada – como você acabou de explicar –, a operação e a logística desse é muito diferente das outras terapias? Isso também causa uma revolução em como a companhia funciona?

Amanda Spina – A companhia tem que estar muito preparada para isso. Aqui no Brasil mesmo são poucos centros que estão preparados para fazer isso. É claro que a partir do momento que há parcerias e a gente vai ampliando também o CAR-T e a terapia celular no Brasil, cada vez mais a gente vai deixando o país preparado para esse tipo de inovação. Esse é um dos grandes objetivos também. Não é simples, é bastante complexo: você coleta o sangue, depois você modifica geneticamente, reinfunde, tem que fazer o acompanhamento do paciente. Não é simples, mas o país está se desenvolvendo, ainda no início, mas com muito potencial de aprender e de garantir esse conhecimento também para cá.

Os médicos oncologistas e os cientistas olham para isso com muita empolgação.

Amanda Spina – Sim, e a gente também. Porque se a gente conectar com o nosso propósito, que é como a gente cria um futuro sem doenças, isso está muito conectado. Como a gente consegue, de fato, cada vez mais trazer inovações, mais acesso à população também e com tecnologias que são revolucionárias no tratamento do paciente, fazendo um benefício que, há 5, 10 anos a gente não poderia nem imaginar.

Pensando nesse futuro sem doenças, o que está dentro do pipeline da Janssen para os próximos 5 a 10 anos?

Amanda Spina – Falando um pouco do portfólio atual da Janssen, nós estamos no Brasil há 90 anos. Temos mais de 50 marcas e estamos principalmente em alguns campos: oncologia, hematologia, imunologia, doenças infecciosas, sistema nervoso central, dentre outras áreas terapêuticas um pouco menores. Quando a gente olha para o nosso futuro, estamos falando de inovações e como a gente traz de fato essas inovações para o país para impactar os pacientes. As nossas inovações estão muito pautadas em terapia celular, como o CAR-T, estão também ligadas à terapia gênica e à medicina de precisão. Nós temos algumas coisas, inclusive em medicina de precisão. Nós temos um medicamento para câncer de pulmão, que atinge uma mutação específica. Então quanto mais você vai direcionado àquela necessidade específica do paciente, em primeiro lugar você tem uma assertividade no tratamento. Em segundo lugar, você contribui para a sustentabilidade do sistema também, porque você vai de uma forma muito mais assertiva ao que aquele paciente precisa.

Então, nosso futuro está muito pautado em como que a gente individualiza nas pessoas e não generaliza tanto, através de medicina de precisão, terapia, celular e gênica.

Hoje, quando se discute o futuro da saúde, fala-se sobre conscientizar mais as pessoas, ter mais educação, investir na gestão da saúde, na atenção primária, saúde populacional. Qual o seu papel como gestora da companhia em educar os funcionários nesse futuro da saúde?

Amanda Spina – Eu acho que as companhias e as organizações estão cada vez mais atentas à saúde mental e à saúde de uma forma geral. As pessoas também estão muito mais conscientes sobre a saúde. Eu acho que a crise sanitária que nós tivemos recente trouxe uma consciência maior e colocou muito a saúde em debate, no centro de discussões. Acho que você, como jornalista especializada em saúde, viu muito isso acontecer. Então, as organizações estão cada vez mais preparadas para isso. Falar de saúde e exercer saúde, também dentro das organizações, é extremamente importante, ainda mais com a responsabilidade de sermos uma organização de saúde. Isso é uma coisa que é sempre feita, um cuidado, um olhar, não apenas para toda a competitividade que a gente quer ter no mercado – que é natural como qualquer empresa – mas como a gente olha também para o indivíduo, para o colaborador, de uma forma extremamente cuidadosa, como a gente fala de bem-estar, como falamos de um equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e como a gente garante que tudo isso esteja em pauta para uma contribuição cada vez mais a inclusiva e diversa. A inclusão que nós estamos falando sempre também traz muita saúde mental para os colaboradores. A partir do momento que você se sente incluído dentro de uma organização, que você vê a diversidade em pauta, que você sente que a sua voz está sendo reconhecida, está sendo ouvida, isso traz também o benefício para a saúde. Então, acho que é um assunto bastante amplo, que vem sendo discutido nas organizações e na Janssen de uma forma extremamente estratégica. Eu falo muito isso no board, os pilares estratégicos da organização têm que estar muito ancorados e precisam garantir que esse olhar para o colaborador e para a saúde do colaborador estejam em pauta. Isso tem que estar dentro de um plano estratégico e tem que ter programas para que isso de fato aconteça.

Eu achei uma fala sua no fórum no SESI em que você trouxe que hoje a sociedade está demandando tudo isso. Que os colaboradores querem equidade, diversidade e inclusão. Como você tem visto esse movimento que você acabou de trazer? Essa visão da organização está mudando?

Amanda Spina – A gente vem avançando bastante e daqui a 5 anos acho que vai estar ainda mais avançado. E que bom. A diversidade hoje é vista como uma vantagem competitiva e é dessa forma que tem que ser olhada. A partir do momento que você dá voz para as pessoas, que você, de fato, exerce uma inclusão – porque também não adianta ter a diversidade e você não exercer inclusão – você vê talentos surgirem onde nunca tinha visto aquela pessoa com aquele potencial máximo. Então, acho que tem uma perspectiva superpositiva. E é uma contribuição, acho que é um legado que a gente quer deixar para as pessoas. Porque nós fazemos o nosso trabalho – que muitas vezes é técnico – mas tem um legado que é extremamente importante, que a gente tem que deixar, e eu acho que essa contribuição para o desenvolvimento das pessoas e como elas conseguem atingir o seu potencial máximo através do bem-estar, estando num ambiente seguro psicologicamente – que é extremamente relevante – com inclusão e diversidade. É uma pauta muito importante.

Recentemente aqui no Future Talks tenho tido o prazer de receber lideranças femininas que ocupam posições como a que você ocupa hoje na Janssen. Como você vê essa transformação? E qual que é o legado que você deixa para a sociedade estando nesse lugar?

Amanda Spina – Essa é uma das perguntas que recebo bastante. Para mim é uma satisfação estar nessa posição que eu estou e consegui fazer o meu trabalho, deixando o legado que eu espero deixar. Na hora que a gente olha alguns números – IBGE e a população brasileira – nós temos mais de 50% de mulheres no Brasil. E isso deveria se refletir minimamente também nas organizações. Acho que estamos avançando como sociedade, alguns setores um pouco menos, alguns setores um pouco mais. Acho que tem uma particularidade no setor da saúde que é extremamente interessante, da presença de muitas mulheres. Há alguns estudos que falam sobre a contribuição de resultados que uma liderança feminina pode trazer: 20% acima de outros resultados, que é extremamente interessante. O board atual da Janssen Brasil tem mais da metade de mulheres. Então, além de mim, são outras 6 mulheres. No momento que eu olho meus pares na América Latina, a maior parte de presidentes dos países também é de mulheres. E na hora que a gente olha o pipeline futuro dos nossos talentos, mais da metade também é ocupada por mulheres. Acho que é um legado que a gente quer deixar, garantir que nós estejamos olhando não apenas para dentro da organização, mas para fora também. Inclusive nós temos diversos programas com um olhar específico para meninas de 13 a 19 anos, por exemplo, com um programa que nós temos na Johnson & Johnson, que traz uma capacitação para algumas áreas específicas de matemática, tecnologia, ciências, dentre outras. E como a gente dá essa capacitação para essas meninas e garante que nós estejamos tendo um papel também externo. É um tema extremamente relevante que tem que ser discutido cada vez mais, e mais do que discutido, tem que ser colocado em prática.

A saúde passa por um momento crítico. Como você vê a companhia e o setor nesse curto prazo, 2023 e 2024? Você imagina que as coisas vão melhorar?

Amanda Spina – Eu acho que nós estamos passando por um momento muito desafiador, e para isso a gente precisa dialogar. E não é dialogar dentro de cada um dos silos. O que eu sempre menciono quando eu converso também com outros colegas do setor da saúde é que a indústria farmacêutica precisa conversar com prestadores, com operadoras. Falar em como a gente consegue discutir o que importa, de fato, que são os pacientes. E como a gente garante a acessibilidade.

Essa cocriação, para mim, é muito importante e acho que nós estamos no caminho para isso. Isso pode dar algumas perspectivas diferentes das que a gente tem hoje, com certeza.

Você acha que esse momento de crise atual favorece a cocriação? Ou pelo menos, a abertura para que as pessoas conversem e se escutem mais, sendo elas de diferentes setores?

Amanda Spina – Deveria favorecer e acho que vai acontecer sim. Porque, novamente, nós temos que estar focado no que importa, que é a saúde dos pacientes. Então, com tanta coisa chegando, tanta inovação e uma esperança para esses pacientes, a gente deveria sim avançar. E estamos falando sobre sustentabilidade, sobre acesso, entender quais são os mecanismos para isso. Um dos mecanismos a gente já falou durante a entrevista também, que é o Complexo Econômico e Industrial da Saúde. O papel da Jansen também nesta transferência de tecnologias que está não apenas pensando na acessibilidade, mas de uma forma muito mais ampla para o país também na contribuição da capacitação etc. Há várias discussões que a gente precisa ter como setor para conseguir beneficiar esses pacientes com tudo o que está chegando, que é extremamente promissor.

E quais, na sua visão, são os próximos passos, pensando na indústria, no setor como um todo?

Amanda Spina – Acho que dentre os próximos passos está concretizar um pouco esses diálogos que estão acontecendo. Na minha visão, há muitas coisas sendo discutidas, alguns testes sendo feitos, mas eu acho que a gente precisa entender o que falta, como, por exemplo, dados – quando a gente fala de SUS, o setor privado com um pouco mais de dados, mas ainda talvez não os dados que a gente precise para falar em novos modelos. Então, acho que nós precisamos identificar em conjunto o que falta, trazermos à tona discussões para falar sobre acessibilidade e fechar esses gaps do que falta de fato para a gente levar uma proposta concreta de como a gente pensa no paciente, como trazemos inovações e como elas são sustentáveis também a todos os sistemas.

Quais são as pautas quentes que você acha que a gente precisa prestar atenção agora nesse ano ainda?

Amanda Spina – Eu acredito que é o que a gente já vem falando ao longo da entrevista. Inovações, como nós potencializamos tudo o que está sendo feito. A ciência está no seu melhor momento, eu diria, com cabeças extremamente brilhantes, pensando em ciência, pensando no paciente. Essa discussão é muito importante, é urgente, ela tem que acontecer para encontrar saídas. Acho que esse olhar também para tecnologias de futuro, como trazer isso para o Brasil e beneficiar os nossos pacientes com isso. Até um dado que eu posso te dar da Janssen: hoje, quando nós submetemos algum medicamento nos Estados Unidos ou na Europa, nós temos uma estratégia no Brasil para submeter exatamente no mesmo dia. Porque a gente quer trazer as inovações o quanto antes para o Brasil. Olhando para o mercado, para a indústria farmacêutica, tem um atraso – do primeiro lançamento global até chegar no Brasil – de 31 meses. É muita coisa. Então, acho que há discussões para a gente conseguir antecipar essas tecnologias vindo para o Brasil. A questão do acesso também é extremamente importante. A sustentabilidade do sistema. Como discutimos pesquisa clínica também, como trazer segurança jurídica, um ambiente normativo mais robusto para o país para que as inovações sejam cada vez mais relevantes, e para trazer mais investimentos de fora para cá.

Natalia Cuminale

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One Comment

  1. Rádio Redenção FM 31/10/2023 at 11:05 - Reply

    Graça e Paz.!
    Visitei o seu site, muito bom…
    Visite o meu site e ouça musica que transmitem Paz.

    Obrigado..!

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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