Alice no país das maravilhas

Com base neste livro clássico e em homenagem ao seu autor, em 1955 foi descrita pelo psiquiatra John Todd uma síndrome chamada de “Alice no País das Maravilhas”.

114

A maioria das pessoas conhece a estória da personagem Alice de Lewis Carroll que, ao perseguir um coelho, “sempre atrasado”, perdeu-se em um território imaginário cuja entrada ficava em um buraco de uma árvore oca.

Em suas aventuras, Alice passa por situações das mais estranhas, como a distorção de imagens, vê-se ora pequena, ora gigante entre outras peripécias durante as fabulosas páginas deste livro infanto-juvenil.

Estas sensações tão diferentes, porém, não são exclusividade da estória mágica da pequena menina. Muitas pessoas podem ter sensações estranhas por alterações da percepção cerebral, semelhantes àquelas vividas pela celebre personagem.

Com base neste livro clássico e em homenagem ao seu autor, em 1955 foi descrita pelo psiquiatra John Todd uma síndrome chamada de “Alice no País das Maravilhas”.

Trata-se de uma alteração na codificação cerebral relacionada a distorções de imagem, de tempo e da sua percepção corporal. Algumas pessoas têm a sensação do corpo, ou partes do corpo serem maiores ou menores do que realmente são. Geralmente estes episódios têm curta duração, que podem ou não se repetir no decorrer do tempo.

Quando foi descrita em 1955, o conhecimento científico da época não conseguia entender e explicar o que ocorria no cérebro.

Com a evolução da medicina, hoje sabemos através de estudos funcionais do cérebro que a área mais relacionada a esta condição é  o córtex temporo-parietal do hemisfério não dominante, porém ainda não há consenso sobre uma causa única para a mesma.

São elencadas oito condições ou patologias que acometem o cérebro que poderiam levar a tais sintomas, sendo as três mais comuns a epilepsia, a enxaqueca e o uso de drogas.

Nas enxaquecas, não é raro ouvirmos dos pacientes que antecedendo, ou durante as crises reclamam de distúrbios visuais, distorções de imagem e outras queixas. Em pacientes com epilepsia focal (sem as conhecidas convulsões), muitos relatam sensações de alteração da percepção da forma e tamanho do próprio corpo ou de objetos que o rodeiam.

O uso de várias drogas ilícitas como cocaína e LSD podem levar a percepções corpóreas como as descritas no livro de Lewis Carroll.

Acredita-se que muitos dos relatos encontrados no livro “Alice no País das Maravilhas” foram vivenciados pelo próprio autor, que sofria de enxaqueca e em seu diário descrevia fenômenos como estes acima durante as suas crises. Há também especulações, não comprovadas, que ele teria experimentado um cogumelo alucinógeno (Amanita muscaria), o qual teria proporcionado ao autor as experiências vividas pela sua personagem.

Uma última curiosidade: vale lembrar que Lewis Carroll era o pseudônimo do matemático Charles Lutwigge Dodgson, que viveu na Inglaterra entre 1832 e 1898.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui