Algoritmo prevê lesões na prática esportiva

Estudos indicam que 33,3% das lesões de atletas são causadas pelo empenho excessivo, tornando as lesões previsíveis e possíveis de evitar. A tecnologia desenvolvida na Universidade de Pisa, na Itália, pretende ajudar profissionais do futebol — e futuramente, outros esportes — a preservar suas carreiras.

               
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Uma lesão grave durante a prática de esportes pode atrapalhar ou interromper de vez a carreira promissora de um atleta, seja no basquete, no futebol ou no tênis. A rotina de treinos, fortalecimento muscular e de condicionamento é seguida à risca para minimizar esses riscos. Agora, a tecnologia pode ser mais uma aliada. Um algoritmo foi desenvolvido para diminuir as chances de acidentes durante a prática de esportes, segundo reportagem publicada na Nature Outlook, um suplemento independente da revista científica Nature.

Um estudo publicado na Journal of Athletic Training, aponta que os jogadores profissionais de futebol, por exemplo, sofrem cerca de 2,5 a 9,4 lesões no período de mil horas de esforço. A maior partes da lesões exige cuidados por pelo menos uma semana, mas 15% delas podem durar mais tempo. Quanto mais tempo, mais a carreira dos atletas pode ser afetada. O número de lesões é ainda maior para os jogadores de futebol juvenil, podendo chegar a 19,4 lesões em mil horas de atividade. Boa parte desses acidentes são previsíveis já que 33,3% das lesões ocorrem devido a sobrecarga nos treinos.

A tecnologia

A tecnologia foi desenvolvida por Alessio Rossi, pesquisador de pós-doutorado da Universidade de Pisa, na Itália. Aos 17 anos, Rossi aspirava ser jogador de futebol, mas uma lesão atrapalhou sua trajetória. A experiência fez com que o pesquisador começasse a pensar em formas de usar a tecnologia para ajudar a preservar os jogadores. Com o novo algoritmo, treinadores conseguem calcular qual a probabilidade de seus atletas se machucarem nos jogos, seja para a partida da próxima semana ou do próximo mês.

Para desenvolver a nova tecnologia, a equipe liderada por Rossi inseriu sensores nas roupas de 26 jogadores de futebol de elite — isto é, atletas profissionais que competem a nível nacional ou internacional. Com o equipamento, 931 treinamentos individuais foram gravados durante 23 semanas, gerando 12 variáveis que levam em conta detalhes como: distância total percorrida e quantidade de acelerações e desacelerações intensas (ações que podem estressar o corpo)

Após a coleta de dados, foi utilizada uma ferramenta batizada de “árvore de decisão”, um modelo matemático que ajuda a tomar decisões por prever as possíveis consequências de cada escolha — ou seja, quais movimentos poderiam causar lesões. A precisão desse sistema é de 80% para lesões esportivas, mas em quase todas as vezes consegue identificar sinais de distensões e rompimento de ligamentos.

A nova tecnologia funciona como um ‘treinador’ assistente e, no futuro, poderia ser utilizada para outros esportes de grupo além do futebol, como basquete, hóquei e beisebol. O uso do algoritmo não seria eficiente em todos os esportes, como na patinação artística, por exemplo. Isso porque, nesse esporte, é comum que cada atleta tenha seus próprios movimentos. O que significa que cada um precisa ser analisado individualmente, impedindo que o processo seja automatizado.

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