A vida “quase normal” da Suécia

Elementos culturais, demográficos e estruturais contribuem para a adoção de uma política

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A estratégia da Suécia é seguir a vida quase normal, seguindo apenas algumas recomendações como lavar as mãos, manter o distanciamento social e evitar viagens não essenciais. Bares restaurantes, salões de beleza e parte das escolas permaneceram abertos.

O que levou a Suécia a tomar essa decisão? Elementos culturais, demográficos e estruturais podem ter contribuído para a adoção da política no país. O modelo de isolamento social foi diferente do adotado em outros países europeus, mas proporcionalmente o índice de mortes foi maior do que em países vizinhos. Li diversos artigos científicos e entrevistas e separei alguns fatos e análises sobre o tema.

Recomendações: Lavar as mãos, distanciamento social, trabalhar de casa quando possível e evitar viagens não essenciais.

Vida “quase normal”: Bares, restaurantes, salões de beleza e parte das escolas permaneceram abertas.

População saudável: Várias diferenças complexas entre a Suécia e outros países dificultam as comparações diretas. A Itália tem uma população mais velha e mais fumantes. Os EUA têm mais obesos e maior índice de doenças crônicas.

Casa vazia: Mais da metade dos suecos moram sozinhos, o maior índice da Europa. O Brasil, por sua vez, tem mais de 20 milhões de pessoas que dividem domicílio com idosos.

Respeito às regras: O uso de transporte público caiu bastante na Suécia. As pessoas estão trabalhando de casa e a maioria evitou viajar na Páscoa. O governo também proibiu reuniões de mais de 50 pessoas e visitas a casas de repouso.

Distância real: 9 em cada 10 suecos dizem que mantêm pelo menos um metro de distância das pessoas.

Estrutura: Os serviços de saúde suecos estão sobrecarregados, mas não lotados a ponto de negar atendimento aos pacientes.

Apoio da população: A Agência de Saúde Pública da Suécia mantém altos índices de aprovação na pandemia.

Mortes: Mais de 2.854 pessoas morreram, número maior do que Dinamarca e Noruega, onde as autoridades adotaram uma abordagem mais radical. O alto índice de mortalidade entre os idosos foi criticado por cientistas do país.

Imunidade de rebanho: Na capital, Estocolmo, o governo informou que 25% da população desenvolveu anticorpos. Mas isso não quer dizer muito: ainda não sabemos qual porcentagem total da população seria necessária para atingir a meta de imunidade. Pode chegar a 80% da população.

Conclusão: É perigoso supor que, mesmo que a estratégia funcionasse na Suécia, funcionaria exatamente igual em outro lugar. Por isso, é preciso cautela. A Suécia não deixa de ser um exemplo de um isolamento de longo prazo, já que vamos ter que conviver por um bom tempo com o coronavírus.

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