A vacinação dos pacientes oncológicos deve ser prioridade

Quando chegar sua faixa etária, não perca tempo. Vacine-se! Não há nenhuma contraindicação para que as doses das vacinas atualmente disponíveis sejam aplicadas em pessoas com câncer.

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Existem dois aspectos importantes que envolvem a Covid-19 e o câncer. Este ano de pandemia demonstrou os impactos diretos sobre os diagnósticos e os cuidados dos pacientes oncológicos.

Dados dos Estados Unidos mostram que, de março a maio de 2020, 100 mil casos de câncer deixaram de ser diagnosticados porque os americanos simplesmente não compareceram às consultas rotineiras. São tumores de intestino, pulmão, mama, colo de útero e próstata que não receberam tratamento. Por causa da descoberta tardia, a mortalidade por câncer neste ano deve ser de 20% a 30% maior por lá, na comparação com 2019. Por aqui, diversas sociedades médicas já divulgaram queda nos exames de rastreamento no ano passado, com reflexos que serão sentidos em breve.

Tanto em outros países como no Brasil, muitos pacientes já diagnosticados atrasaram seus tratamentos pelo receio de sair de casa. Então, como já escrevi outras vezes neste espaço, reforço que é importante não mudar a rotina de saúde por conta do coronavírus.

Já sabemos que, para quem tem câncer, o risco de uma complicação pelo coronavírus é maior especialmente se o paciente estiver passando por tratamento quimioterápico, se tiver tumor de pulmão ou doença hematológica maligna ou se a doença estiver muito avançada.

Portanto, o que deve mudar é o grau de atenção e cuidado, com a manutenção do distanciamento social, a higienização das mãos, não compartilhar objetos pessoais e o uso de máscaras. E, com certeza, junto a essa postura responsável, a imunização.

Por que vacinar os pacientes oncológicos?

A vacinação é bem-vinda e completa as estratégias de controle da pandemia. Com os hospitais no limite, é apontada como ação fundamental para a diminuição de casos de Covid-19. Infelizmente não temos ainda uma ordem de prioridade para os pacientes oncológicos, ideal pelos aspectos já citados anteriormente. Respeita-se o critério da idade.

Então, quando chegar sua faixa etária, não perca tempo. Vacine-se! Não há nenhuma contraindicação para que as doses das vacinas atualmente disponíveis sejam aplicadas em pessoas com câncer. Diferente de outras situações, como a vacina contra a febre amarela, que tem o vírus atenuado, as vacinas disponíveis no momento têm o vírus inativado (CoronaVac) ou um vetor viral que não replica (Oxford/ AstraZeneca). Mesmo que o paciente esteja em tratamento, não há risco de infecção.

Na verdade, a dúvida que ainda persiste é sobre a eficácia da vacina que, às vezes, dependendo da tática usada contra o câncer, pode ser menor. A quimioterapia, por exemplo, consegue diminuir a imunidade do indivíduo e pode impedir que sejam produzidos anticorpos fortes o suficiente e tão protetores. Portanto, a recomendação é para que o paciente em tratamento quimioterápico converse com o médico para avaliar o caso e a possibilidade de alteração dos ciclos para receber a imunização.

Ainda não há estudos específicos sobre os imunizantes para o coronavírus e a eficácia em pessoas com câncer. Mas algumas vacinas, como da gripe, mostraram que pacientes que usam drogas que diminuem muito a imunidade podem ter um desenvolvimento de anticorpos mais lento, como portadores de tumores de sangue, como linfoma e leucemia. O perigo, eventualmente, é não produzir tantos anticorpos ou uma defesa tão eficiente. Mas ainda são hipóteses. O mais importante é não ter contágio ou o agravamento da condição de saúde por uma nova infecção grave.

Outra grande preocupação são os efeitos colaterais. Pela nossa experiência de consultório, dos pacientes que já foram vacinados, não houve nada diferente do usual. Em geral, não é relatado nenhum tipo de sintoma e, quando aparece, é leve e transitório.

Mas para quem ainda não foi vacinado ou já recebeu as doses, insisto, vale a regra de manutenção do estado de alerta. Mesmo para quem já teve a infecção pelo coronavírus, é recomendado tomar a vacina. Os níveis dos anticorpos podem cair ao longo dos meses e a imunização pode proteger de outras variantes que eventualmente podem aparecer. Protejam-se! O cuidado individual é o cuidado de todos.

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