A saúde do futuro

É necessário que a sociedade como um todo seja ativa, vigilante, participe das discussões e assuma a sua responsabilidade em diversas áreas da saúde da prevenção à busca ativa por informações qualificadas

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Em julho de 2020, quando escrevi meu primeiro artigo para o portal Futuro da Saúde, ressaltei que não iria dedicá-lo a falar sobre os impactos devastadores da pandemia, que naquele momento já deixava um rastro de tristeza pelas mais de 440 mil mortes confirmadas e 130 mil sem confirmação em todo o mundo*. Este meu primeiro artigo de 2021 também não será dedicado à pandemia da Covid-19, que lamentavelmente já levou a óbito mais de 2 milhões de pessoas em todo o planeta e perto de 218 mil no Brasil**. Sobre esse assunto e demais temas correlatos, como a tão esperada chegada da vacina e sua eficácia, o portal Futuro da Saúde disponibiliza excelentes matérias, com as mais qualificadas fontes.

Inspirada pelo propósito que esse portal foi criado, vou direcionar meu olhar para o futuro. E como em muitos exercícios de imaginação, esse futuro tem dois desfechos: o otimista e o pessimista.

Minha atitude desde que decidi dedicar a vida a trabalhar pela melhoria da saúde no Brasil sempre foi otimista. Pois o otimismo é característica da minha personalidade. E, também, porque não consigo conceber outra atitude quando nos comprometemos a salvar vidas.

Como decidi enxergar a saúde do futuro com otimismo, devo fazer algumas ressalvas, já que ser otimista não significa ser Pollyana. E se quisermos crer que teremos um futuro melhor, temos muito a fazer.

Previsões da OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que, em 2030, o Brasil estará entre as cinco nações com maior número de idosos; que a depressão será a doença mais comum no país e que o câncer ultrapassará as doenças cardiovasculares em número de mortes e, isso, não quer dizer que os óbitos por doenças do coração diminuirão. Ao contrário, teremos duas bombas relógio detonadas.

Ao conhecer essas previsões, além de saber que temos muito a fazer, temos de assumir que é preciso agir rápido. E lembrar que agir com rapidez não implica tomar decisões e atitudes sem planejamento, sem respeitar a ciência, manipulando dados e politizando um assunto que diz respeito à Nação e não a governos, sejam eles municipais, estaduais ou federal.

No meu entendimento, o caminho para que possamos ir além de desejar um futuro otimista para o setor da saúde no Brasil e realmente trabalhar para que isso ocorra, temos de escolher um caminho a trilhar. O que eu defendo é o que soma prevenção, uso da tecnologia e participação social na saúde. Esse é o tripé que acredito nos fará avançar para que tenhamos um país menos doente, mais produtivo, mais competitivo e, sobretudo, mais justo.

Ao olharmos para o aprendizado que a pandemia no novo coronavírus nos deixou, já é consenso que temos todos de trabalhar pelo fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), para que o Artigo 196 da Constituição Federal brasileira seja cumprido. O Artigo 196 diz que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

No meu entender, para o seu cumprimento, além do fortalecimento do SUS é necessário que a sociedade como um todo seja ativa, vigilante, participe das discussões e assuma a sua responsabilidade quanto aos esforços na prevenção; na imunização; na busca para o diagnóstico precoce de doenças e procure informações qualificadas sobre os possíveis tratamentos que incorporam novas tecnologias que, além de resultados comprovados, sejam custo-efetivas.

Enxergo que temos um oceano azul de oportunidades para a melhoria da saúde no Brasil e uma delas é investir fortemente em inovação na Atenção Primária, a porta de entrada do sistema de saúde, capaz de atender mais de 80% das necessidades da população.

Especificamente sobre essas possibilidades, o Instituto Lado a Lado pela Vida deu ao Brasil uma contribuição valorosa em 2020, ano em que a saúde foi pauta da agenda de todo cidadão neste país. Com a participação de um grupo de trabalho de notória reputação, produzimos um white paper dedicado à “Inovação na Atenção Primária”, que foi entregue a diversos gestores do Ministério da Saúde e que comprova que arregaçando as mangas e trabalhando intensamente, lado a lado, seremos capazes de alcançar a minha visão otimista para o futuro.

Especificamente para o futuro próximo, desejo a todos que este ano de 2021 traga não só a esperança da superação de um dos mais desafiadores cenários que a saúde e a economia já vivenciaram, como também harmonia e equilíbrio para tomar decisões.  Neste quesito, destaco ainda o bom senso, para que suas decisões não coloquem em risco a saúde, e a vida daqueles que estão ao seu redor, sejam eles membros de sua família, seus amigos e demais cidadãos que por inúmeras razões cruzam o seu caminho.

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