A obesidade e o coronavírus

Obesidade está associada a uma inflamação crônica de baixo grau e um aumento das citocinas

94

Na pandemia, a obesidade tem sido apontada como um fator de risco para complicações por covid-19, especialmente entre os mais jovens. No Brasil, segundo o último boletim divulgado, 53% das pessoas com menos de 60 anos que morreram por covid-19 eram obesas. O governo brasileiro não deu mais detalhes sobre isso, mas outros países já fizeram observações semelhantes:

– Um estudo publicado na revista científica Clinical Infectious Diseases analisou dados da epidemia em Nova York e apontou que, entre aqueles com menos de 60 anos, pessoas com obesidade (com IMC maior que 30) têm duas vezes mais risco de hospitalização por covid-19 e maior probabilidade de ir para a UTI.

– Um levantamento francês apontou uma frequência maior de pessoas acima do peso entre os pacientes internados por covid-19. Um dos autores do estudo disse ao Medscape que a maioria desses pacientes eram jovens e que a obesidade era o único fator de risco que eles tinham.

– Na China, uma pesquisa recente sugeriu que pacientes com covid-19 com um índice de massa corporal maior tinham mais do que o dobro do risco de ter pneumonia severa em comparação com os pacientes que não tinham excesso de peso.

Embora os dados sejam preliminares, a obesidade tornou-se uma preocupação. Não se sabe ainda por que exatamente o risco é maior entre quem está acima do peso. Uma das hipóteses seria que os pacientes obesos já teriam a função respiratória comprometida antes da infecção por covid-19. “A obesidade abdominal, mais proeminente nos homens, pode causar compressão do diafragma, pulmões e capacidade torácica”, segundo explica um artigo no NYT.

A obesidade também está associada a uma inflamação crônica de baixo grau e um aumento das citocinas, substâncias que podem desempenhar um papel nos piores resultados do covid-19.  Por outro lado, há quem aponte que são necessários mais estudos para investigar essa relação. Um artigo publicado na Wired criticou a nova abordagem e sugere que os estudos precisam considerar também fatores como raça, status socioeconômico ou qualidade da assistência. Além disso, devem avaliar as condições de saúde existentes como asma e câncer.

O fato é que todos os dias novas informações chegam sobre o coronavírus e os profissionais de saúde estão aprendendo ainda os aspectos da doença.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui