A confusão da OMS: mais um erro na pandemia

Após repercussão negativa, OMS resolveu se pronunciar e corrigir a informação

               
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Na segunda-feira, Maria Kerkhove, líder técnica da Organização Mundial da Saúde, deu uma entrevista em que dizia que a transmissão por pessoas assintomáticas “parecia ser rara”. É uma declaração forte que não poderia ser ignorada, principalmente porque até agora estávamos nos guiando justamente pelo contrário. Ela não citou nenhuma evidência científica, não detalhou a informação, mas deu indícios de que era algo a ser considerado. Deixei tudo isso claro no post e nos comentários. A entrevista, porém, fez barulho. A hashtag #OMSgenocida ficou entre os trendingtopics e a notícia foi publicada pelo presidente. Vários posts com tom sensacionalista se propagaram afirmando que o isolamento foi desnecessário. ⁣

Hoje, algumas horas após o estrago, a OMS resolveu se pronunciar e corrigir a informação. Deixou claro que sim, há registros de transmissão de covid-19 por pacientes assintomáticos e que ainda não se sabe a dimensão disso. A própria Dra Maria falou de novo: “Ainda não temos estudos suficientes para saber quantos são os assintomáticos. Trabalhos tem resultados muito variados, e alguns indicam até 40% dos casos. Sabemos que eles também podem transmitir o coronavírus, mas ainda não conhecemos a intensidade”. Ela reforçou que estava se referindo “a dois ou três estudos de alcance limitados, a textos não publicados e a informações discutidas entre cientistas”.⁣

Bom, a primeira coisa que peço aqui é: para todos que compartilharam, avisem aos seus amigos que houve uma retratação. Assintomáticos, ao que tudo indica, transmitem sim. A segunda coisa que queria dizer é que esse tipo de comunicação é lamentável e preocupante no meio da pandemia. É fato que descobrimos informações novas sobre a covid-19 o tempo todo e é natural que convicções antigas sejam revistas. Por mais que a declaração tenha sido tirada de contexto, ela causa confusão. Isso afeta a credibilidade, já colocada em xeque, da OMS. Comunicações desajeitadas atrapalham a compreensão das pessoas e podem ser usadas como arma política. A lição fica para OMS que precisa ser mais responsável em suas declarações. A outra lição é a de sempre: precisamos tentar entender o contexto da notícia

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