Comunicação é fundamental para passar uma mensagem

Qual o impacto da falta de comunicação na pandemia?

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Imagem: Palácio do Planalto (Flickr)

Comunicar não é tão simples quanto parece, demanda dedicação, estudo e preparo. Um grande desafio da comunicação é a enorme margem para mal entendidos: nem sempre a mensagem dita é compreendida como deveria ser. E, por isso, mais uma vez o cuidado com a mensagem é importante para evitar efeitos indesejados. Em saúde pública, transmitir a mensagem correta é fundamental. No meio de uma pandemia então…

De acordo com o balanço do Ministério da Saúde, foram registrados mais de 90 mil casos e mais de 6 mil mortes. Seguindo o ritmo visto no resto do mundo, essa curva ainda deve subir antes de começar a baixar. Nesse cenário, uma comunicação clara e objetiva faz falta. Não se trata de ser político ou de adotar um discurso populista. Não tem a ver também com a capacidade de se expressar em público, com carisma ou fazer treinamentos para lidar com a imprensa. Tudo isso pode ser superado se houver um interesse de fato em passar uma mensagem.

Alguns podem argumentar que o ministro da saúde precisa trabalhar e não ficar aparecendo na televisão. A pessoa que aparece diante das telas é indiferente – pode ser um presidente, um secretário, um ministro -, mas é preciso que alguém esteja disposto a falar sobre as coisas com força e confiança. É pela comunicação que as pessoas sabem da importância de usar máscaras, de adotar a etiqueta respiratória, de evitar o pronto-socorro se tiver só coriza, de evitar aglomerações. Aliás, é preciso lembrar que não temos vacina e nem tratamento contra o coronavírus. Então, a comunicação também serve como uma medida de prevenção não farmacológica. 

Como diz o ministro, o Brasil é um país de dimensões continentais. De fato, ele é. Sabemos que temos cidades minúsculas em que o coronavírus não chegou (e talvez nem chegue) e temos também capitais que estão vendo o sistema de saúde entrar em colapso. Olhar para o país de acordo com suas particularidades é importante, claro.  Do ponto administrativo e de gestão pode fazer sentido. Ao mesmo tempo, do ponto de vista de comunicação, não dá para suavizar a mensagem ou dizer com meias palavras. Ao transferir a responsabilidade para os estados e municípios, a comunicação se perde e a força da mensagem também.

Como em qualquer gestão de crise, é preciso reconhecer o problema, responder rápido e de forma clara e objetiva. Estamos atrasados nesse roteiro. O que temos visto nas últimas semanas são mensagens descoordenadas, comunicações pouco objetivas e pouco frequentes. Ontem, o ministro Nelson Teich mudou o discurso, ainda que de forma tímida. Disse: “Não dá para começar liberação quando se tem uma curva em franca ascendência”. Não se trata de fazer política do medo ou de apostar no sensacionalismo. É simplesmente comunicar e passar segurança para a população. É preciso redesenhar a rota, antes que fique pior.

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