A bagunça da vacina

O Brasil registra quase quatro mil mortes diárias por Covid-19 e o país precisa de ações coordenadas -- e não de desculpas -- para tentar frear o caos

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Não adianta prometer 500 milhões de doses para 2021 e a cada semana ter que revisar o número para baixo, seja por problemas de logística, seja por incapacidade de produção ou falhas na entrega.

Não adianta anunciar em coletivas de imprensa a criação de vacinas brasileiras (que sim, serão bem-vindas) como a salvação da pátria. Já aprendemos que o desenvolvimento é rápido, mas não tão veloz assim. Precisamos de vacinas prontas para ontem.

Não adianta acrescentar novos grupos prioritários aos grupos de vacina para agradar uma demanda política, enquanto nem os primeiros grupos prioritários conseguiram ser vacinados ainda. A necessidade de prioridade pode ser legítima, mas é preciso que seja coordenado.

Não adianta tentar mudar o nome kit covid para tratamento precoce ou qualquer outro tipo de estratégia para tentar disfarçar o uso de medicamentos sem comprovação científica.

Não adianta trocar de ministro da Saúde se não houver autonomia para realmente coordenar as ações com estados e municípios para organizar a demanda por medicamentos, equipamentos e oxigênio. E também para definir estratégias eficazes de tentar frear o caos.

Não adianta tentar comprar doses contrabandeadas de vacina ou ser enganado no processo, mas também não adianta proibir o debate sobre o acesso privado, considerando distribuição e doação.

O que funciona é realmente enxergar a Covid-19 como o problema grave que ela realmente é, com quase 4 mil mortes diárias. E encarar que, se continuarmos na mesma toada, a situação só vai piorar em 2021 – e não melhorar.

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