5G tem potencial para ampliar acesso e melhorar qualidade dos atendimentos remotos, mas ainda precisa de maturação

5G tem potencial para ampliar acesso e melhorar qualidade dos atendimentos remotos, mas ainda precisa de maturação

A tecnologia 5G apenas começou a ser implementada no país, […]

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By Published On: 21/12/2022

A tecnologia 5G apenas começou a ser implementada no país, mas as expectativas em relação às oportunidades trazidas por ela são altas. Na área da saúde, ela tem o potencial de ampliar o acesso, melhorar a qualidade dos atendimentos remotos e reduzir desperdícios. Contudo, para que essa visão se torne realidade, haverá um período de maturação, muitos testes práticos e aprimoramentos.

Por enquanto, a tendência não é pensar em produtos novos tendo o 5G como premissa, mas aprimorar serviços que já funcionam e que poderiam se beneficiar de uma melhor conectividade. Mas, à medida em que o uso da tecnologia vá amadurecendo, será possível trabalhar em mudanças maiores no setor, como conta Rodrigo Demarch, diretor executivo de inovação do Hospital Israelita Albert Einstein:

“Hoje se fala cada vez mais em levar o cuidado das pessoas para fora dos hospitais, o que ainda não é uma realidade. Mas, havendo uma infraestrutura 5G disseminada pelo país, esse cenário se torna mais palpável. Dessa forma, com pessoas sendo atendidas remotamente e com qualidade, as estruturas mais complexas poderão ser usadas por quem realmente precisa de uma assistência intensiva, o que culminaria em uma expansão do acesso à saúde”.

Para Denise Rahal, gerente de parcerias e operações em inovação da instituição, por mais que algumas pessoas já tenham a rede 5G funcionando no celular, ainda não há como validar os seus usos mais complexos: “Estamos no começo dessa nova realidade e já estamos fazendo planos para ela, mas é preciso considerar que haverá um caminho de maturação do uso da tecnologia e precisamos, primeiro, entender o que será possível realizar por meio dessa conectividade”.

5G na saúde está no início da jornada

A grande aposta do setor, na visão de Denise, é na baixa latência que a tecnologia promete, ou seja, um menor tempo de resposta na realização de tarefas conectadas, desde as mais simples, como envios de mensagens, até as mais complexas, como a transmissão de imagens em tempo real ou o acionamento de um comando em uma cirurgia robótica.

Outra expectativa é que uma maior capacidade de processamento de dados possa personalizar cada vez mais o tratamento e cuidado de pacientes, contribuindo com o avanço da medicina de precisão, mas também expandir a coleta de dados populacionais, chegando, idealmente, a uma possível medicina populacional personalizada, segundo Demarch:

“Se você não souber usar dados na saúde, não tem como alcançar a equidade do sistema. Eles possibilitam um maior conhecimento da população, as doenças mais incidentes e os seus determinantes sociais, fundamentais para construir uma estratégia de cuidado assertiva. No outro extremo, vamos olhar de forma cada vez mais personalizada para os indivíduos, buscando respostas no DNA. O ideal é que consigamos unir esses dois elementos em larga escala para traçar intervenções. É uma realidade distante ainda, mas um dia, quem sabe, pode ser possível”.

Para ele, depois da aceleração dos avanços tecnológicos, impulsionada também pela pandemia, a digitalização é, certamente, um caminho sem volta. Isso não quer dizer que nada mais será presencial, mas a tecnologia se mostrou capaz de oferecer melhores experiências e soluções benéficas nos quesitos otimização do tempo, resolução de burocracias e até redução de custos.

“A longo prazo, a visão que temos é de que seremos cada vez mais capazes, por meio de tecnologias interligadas, de personalizar o cuidado, melhorar desfechos e evitar desperdícios, tanto nos sistemas privados quanto no público. Mas, para que cheguemos ao mundo ideal, precisamos de um maior amadurecimento do uso da tecnologia e garantir que essa infraestrutura chegue para todos”, conclui o diretor.

Laboratório para testes da tecnologia 5G na saúde

Neste contexto, o Einstein criou dois ambientes de testes, em parceria com empresas de telecomunicação e inovação, chamados de Lab 5G, já em pleno funcionamento, para fazer experimentações. “Vamos embarcar a tecnologia em unidades móveis de saúde que já contam com equipamentos de radiologia, por exemplo. A ideia é que sejam itinerantes, que cheguem a locais remotos, e que o 5G nos auxilie com o envio assíncrono de exames, possibilitando a realização de laudo e aquisição das imagens de forma simultânea”, relata Rahal.

O 5G também será testado em ambulâncias da instituição, com a mesma ideia de permitir a realização de exames, como a ultrassonografia, sem a necessidade de ter um especialista in loco, mas que seja capaz de orientar os profissionais disponíveis à distância, oferecendo melhor qualidade no atendimento emergencial.

Outros focos contemplarão a cirurgia digital e a telemedicina: “Usaremos equipamentos desenvolvidos por parceiros para contar com cirurgiões apoiando na sala cirúrgica de forma remota, além do cuidado com o paciente em casa, por meio do Einstein Até Você, atuando em casos de alta complexidade, utilizando hardwares conectados com dispositivos wearables e equipamentos IoT para monitorar o paciente à distância”.

E o uso de inteligência artificial deve ser incorporado às análises de imagens médicas também no dia a dia dos atendimentos, gerando mais agilidade aos uploads de exames. “Temos uma plataforma que já funciona como predição para Acidente Vascular Cerebral (AVC), via ressonância. Queremos entender com qual rapidez conseguimos analisá-la com uma conectividade mais fluida”, destaca Denise.

Ana Carolina Pereira

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ao longo de sua carreira, passou por veículos como TV Globo, Editora Globo, Exame, Veja, Veja Saúde e Superinteressante. Email: ana@futurodasaude.com.br.

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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