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2022: O ano em que a saúde precisa ainda mais da força da voz da sociedade civil

Este meu primeiro artigo do ano, tem um objetivo bastante claro de chamar a atenção de todos e destacar que, em 2022, temos de valorizar ainda mais a força da nossa voz, por meio do voto consciente.

               
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Cá estamos iniciando mais um ano sob os impactos da pandemia da covid-19, desta vez tendo a variante ômicron como a bola da vez. Não vejo necessidade de dedicar o tempo da leitura de vocês para falar sobre o que está acontecendo, já que os veículos de mídia brasileira e internacionais têm divulgado amplamente dados sobre o impacto na população, a eficácia da vacina para minimizar os casos graves dos milhões de infectados e, também, sobre o andamento da inclusão das crianças no grupo coberto pelo imunizante que protege a população brasileira desse vírus que já deixou a maioria de nós cansados, mas que ele próprio segue firme em sua natureza de “envenenar” nossa sociedade, se formos fiéis à origem da sua definição: em Latim, virus significa veneno ou toxina.

Já faz alguns anos que, entre as minhas leituras de início de ano, tenho dado bastante atenção ao que a agenda do World Economic Forum destaca. E, pessoalmente, dedico meu olhar aguçado para ler o Global Risk Report que, neste 2022, destacou que “o mundo continua a lidar com os efeitos do covid-19 na saúde pública. Logo nos primeiros dias do ano, foram relatadas globalmente 5,4 milhões de mortes pela doença, de 282 milhões de casos confirmados. Além disso, uma proporção significativa dos infectados pelo SARS-CoV-2 apresenta sintomas duradouros – cerca de 10% apresentam problemas de saúde persistentes 12 semanas após a doença”.

A abertura do relatório segue afirmando que “a crise da covid-19 também teve extensos impactos colaterais na saúde, em parte porque outras doenças perderam prioridade. A pandemia aumentou em 53 milhões os novos casos de depressão em todo o mundo”. A deterioração da saúde mental foi um dos cinco principais riscos mencionados pelos entrevistados do Global Risk Report, assim como a incidência de doenças crônicas não transmissíveis – que causam 41 milhões de mortes todos os anos, principalmente em países de baixa e média renda e o quanto a interrupção dos atendimentos e tratamentos devido à pandemia amplificou esse cenário.

Um dado que pelo menos aqui no Brasil pouco se falou foi o de que “a resistência antimicrobiana causou quase 2 milhões de mortes em 2020 e esse número pode aumentar – principalmente para malária e tuberculose – devido ao uso inadequado de antibióticos para tratar a covid-19”.

E, ainda, para os analistas que produziram o relatório, “a pandemia e seus efeitos colaterais continuarão a pressionar os sistemas de saúde em todo o mundo, ampliando as desigualdades de saúde entre e dentro dos países, criando atritos sociais e sobrecarregando o potencial de crescimento econômico de longo prazo, o que impacta a recuperação econômica” que, ainda segundo a publicação, “após uma contração de 3,1% em 2020, o crescimento econômico global deverá atingir 5,9% em 2021, mas vai desacelerar para 4,9% em 2022”.

Se esse cenário preocupa os líderes mundiais, públicos e privados, podemos imaginar o impacto e a atenção redobrada que devemos dar ao nosso Brasil que, neste ano, além do ainda presente impacto da pandemia, teremos um cenário político bastante agitado, polarizado e efervescente conforme se aproxima a data das eleições para presidente, governadores, deputados federais e estaduais e 1/3 do senado.

Como entidade do terceiro setor, nos cabe constantemente acompanhar as decisões que tanto os poderes executivo como o legislativo tomam no que se refere à saúde. E como ainda estamos no início do ano, gostaria de lembrar a todos os leitores do Futuro da Saúde que, enquanto sociedade civil organizada e que cada vez mais está interessada no que acontece no ecossistema da saúde, temos de ser ágeis e, juntos, fazermos uma imersão na avaliação do que foi e tem sido feito no País para que os nossos sistemas de saúde, público e privado, sejam fortalecidos, independentemente da crise sanitária que nos engoliu. Isso porque, sabemos, essa não foi e não será a última grave pandemia que atingirá o planeta e o Brasil. Precisamos tratar os gargalos do setor da saúde de forma estrutural, atuando no imediato, no curto prazo, e planejando o médio e o longo prazos, pois só assim teremos uma Nação preparada para enfrentar as próximas crises na saúde.

Em janeiro de 2019, o Instituto LAL lançou um estudo em parceria com a consultoria Speyside, com o mapeamento do cenário da oncologia no Brasil. Esse material foi por nós entregue pessoalmente aos membros do Parlamento que assumiram suas cadeiras naquele ano. O documento fez uma análise de como a oncologia foi tratada pela legislatura que antecedeu a atual e as propostas que entendíamos deveriam ser priorizadas pelos legisladores que neste ano de 2022 em sua maioria, concorreram à reeleição para o Parlamento brasileiro.

Naquele momento, destacamos a relevância de dar atenção à Medicina Personalizada, pois entendemos que ela é um caminho sem volta no cenário da oncologia e também em outras áreas como a cardiologia e a infectologia. Ao longo dos últimos quatro anos, cumprimos nosso papel de manter o constante diálogo com deputados e senadores, cobrar posições e informar a sociedade e os pacientes constantemente sobre o que acontecia no cenário legislativo referente à saúde, com ênfase às causas da oncologia, das doenças cardiovasculares e na saúde do homem, as principais área de nossa atuação. 

Para este ano, já iniciamos um novo estudo que será entregue àqueles que assumirem as cadeiras na Câmara e no Senado Federal em 2023 e, também, aos que forem indicados para as posições de gestão do Ministério da Saúde, independentemente de quem assumir a presidência da República.

Além desse documento, o Instituto Lado a Lado pela Vida fará em 2022 grandes eventos dedicados às discussões da gestão e sustentabilidade econômica da saúde, parte da agenda do já consagrado Global Forum – Fronteiras da Saúde, criado por nós em 2019, tendo o World Economic Forum de Davos como inspiração. Já no primeiro semestre, apresentaremos o Discussion Paper sobre Incorporação de Novas tecnologias em saúde, que está em fase final de edição, produzido em parceria com o Centro de Regulação e Democracia do INSPER. Esse documento será entregue aos gestores públicos e privados do setor da saúde e, assim como fizemos com o documento propositivo “Inovação na Atenção Primária”, que lançamos em 2020.

Realizar essas ações reforçam que não basta discutir e mostrar o que não anda bem. Temos de indicar e propor caminhos possíveis e viáveis para efetivamente mudarmos o cenário da saúde no Brasil e avançarmos para oferecer equidade no acesso à saúde de qualidade aos brasileiros, em todas as fases da vida.

Este meu primeiro artigo do ano, tem um objetivo bastante claro de chamar a atenção de todos e destacar que, em 2022, temos de valorizar ainda mais a força da nossa voz, por meio do voto consciente. Somente com a participação social na saúde seremos fortes para combater as desigualdades enfrentadas pelos brasileiros no que se refere ao diagnóstico precoce e certeiro e nos tratamentos de enfermidades como o câncer, por exemplo.

Precisamos, no entanto, ir além e lembrar que a pandemia foi um doloroso alerta de que temos de seguir uma agenda constante na educação sobre saúde, na disseminação de informação de qualidade e atuar na prevenção de doenças evitáveis e na promoção da saúde de nossa população. Sem falar da importância do necessário fortalecimento do nosso SUS (Sistema Único de Saúde) e também cobrar dos executivos do setor privado uma gestão bem realizada na saúde suplementar. Só assim, seremos capazes de enfrentar de forma eficaz as pandemias que com absoluta certeza ainda virão.

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