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2022 deve ser o ano da retomada de exames e diagnósticos não relacionados à Covid

A espera pelo “fim da pandemia” afastou as pessoas das consultas de rotina. Busca por exames diagnósticos está voltando aos poucos e não foi afetada pela circulação da variante ômicron.

               
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Médicas observam exames de rotina, que devem ter uma retomada em 2022.

A pandemia de Covid-19 provocou um grande impacto no diagnóstico de doenças não relacionadas ao coronavírus. Por conta do isolamento social estrito, a falta de informações nos primeiros meses e a superlotação das unidades de saúde, criou-se um receio geral na população, que optou por adiar exames de rotina e casos não urgentes. Mas esse cenário vem mudando gradualmente — as pessoas estão retomando seus exames e a busca pelo check-up não foi alterada pela circulação da variante ômicron.

De acordo com os dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em dezembro, houve um aumento de 7,3% nas autorizações emitidas para exames e terapias de planos de saúde, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Ao longo de 2021, todos os meses de fevereiro a dezembro tiveram mais solicitações que em 2020, tendo recorde em abril, com 161%.

O controle da Covid no país, o avanço da vacinação e a adoção de protocolos de segurança que reduzissem os riscos de infecção em unidades de saúde foram essenciais para essa movimentação.

“Houve um impacto muito forte que vem diminuindo. As pessoas estão retomando a realização dos exames. Já retomaram em 2021 e temos a expectativa de que essa retomada se intensifique agora em 2022, para o cuidado da saúde da população” afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Ao longo da pandemia os médicos alertaram sobre o risco de termos uma explosão de casos de outras doenças. De acordo com a Abramed, cerca de 165 milhões de exames diagnósticos não foram realizados no primeiro ano da pandemia. 

“Sem um diagnóstico você não consegue identificar a existência de patologias no início da doença e não consegue estabelecer o tratamento adequado. O diagnóstico é essencial para o cuidado da saúde” reforça Pagano.

A hora é agora

Sintomas leves que foram negligenciados, exames de rotina postergados ou até o acompanhamento de doenças crônicas, foram deixados para “depois da pandemia”, que até o momento não chegou. No entanto, dois anos é tempo demais para esperar para cuidar da saúde.

Para a dra. Juliana Sperandio, ginecologista, obstetra e especialista em Cirurgias Minimamente Invasivas da Clínica Alira, com a vacinação e seguindo todos os protocolos de prevenção, a hora de ir ao médico é agora. “Outras doenças sem diagnósticos podem ser mais graves que a Covid-19 em si. Não tem mais porquê adiar”.

Um estudo realizado pelo Ipec – Inteligência em Pesquisa e Consultoria, em parceria com a Pfizer, mostrou que 47% das mulheres brasileiras deixaram de ir ao ginecologista na pandemia.  “A população que não tem doenças graves, que fazem exames, controle e consultas apenas para a prevenção, de fato, voltou a procurar atendimento no final do ano passado e começo deste ano”, analisa Sperandio. 

A facilidade da telemedicina, porém, foi crucial para reduzir o impacto desse afastamento. Mesmo pessoas que estavam em isolamento ou com suspeita de Covid, optaram por realizar suas consultas remotas, ao invés de cancelar ou adiar o que era possível resolver à distância. Dados da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) mostram que até novembro de 2021, cerca de 5,1 milhões de teleatendimentos foram realizados pelos planos de saúde.

“Percebemos que saúde é prioridade. Se você está há mais de 2 anos sem fazer um exame de rotina ou de ser examinada, vale a pena passar em consulta com o clínico ou ginecologista que te acompanha”, conclui a médica.

Mudança de hábito

“Percebemos uma diminuição no número de faltas e desistências. Os pacientes estão procurando realizar os exames diagnósticos normalmente, pois já estão vacinados e os nossos processos garantem a segurança que eles precisam”, afirma Patrícia Abib, gerente sênior de diagnóstico do A.C.Camargo Cancer Center, referência no tratamento de câncer no país.

O câncer é uma das principais doenças que precisa de diagnóstico e tratamento o quanto antes, pelo risco de uma rápida evolução. Esperar por dois anos, até a vacinação ou um possível fim, podia colocar em risco a vida dos pacientes. O hospital precisou adaptar seus protocolos e estrutura para atendê-los normalmente, criando também uma comunicação efetiva.

Mas apesar disso, existe o risco de uma “epidemia” de diagnósticos de câncer nos próximos anos, com o agravante dos casos estarem em estágios avançados. Um levantamento feito pelo Instituto Oncoguia, em parceria com a farmacêutica Roche, mostrou que houve uma redução de 39,1% nas biópsias realizadas em 2020, de acordo com dados do DATASUS. 

Somente nos dois primeiros meses da pandemia, a estimativa da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é de que 50 mil novos casos não foram diagnosticados.

É preciso que tanto a população, quanto os serviços de saúde, estejam atentos e incentivem a retomada de consultas, exames e diagnósticos em 2022.

“O sucesso do tratamento oncológico está atrelado ao diagnóstico e tratamento precoce. Tratar o câncer até 30 dias do início dos sintomas ou do diagnóstico é um dos fatores que aumenta a chance de cura. Muitos tumores têm comportamento agressivo e adiar o plano terapêutico pode significar a redução do sucesso do tratamento”, reforça Abib.

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